Nadadenovo

•1 maio, 2009 • 2 Comentários


Sabe o que eu mais gosto das nossas bandas nacionais? O jeitinho original que só o brasileiro tem de misturar cada elemento na sua dose certa e fazer um som único. Não entendeu o que eu estou falando? Pois vou tentar ser mais explícita, sim, estou falando de Mombojó.

A impressão que você tem escutando o “Nada de novo” é que a banda absorveu todos os elementos da música brasileira com suavidade, misturou com um pouco de revolta e guitarras, é claro, e criou seu som único. A impressão que dá é que o Mombojó faz questão de fazer destoar a letra da melodia, saindo do clichê clássico da balada com a letra romântica. Essa jogada é perceptível em “Merda”, quando na letra da música diz: “Eu já cai, já to no chão/ e to tocendo pra você ficar na merda/ como eu também estou nessa merda”.

Se você tiver realmente afim de escutar algo novo e até meio doido, te recomendo o “Nada de novo”. Isso se você for fã de uma batida brasileira, umas guitarras divertidas e um vocal calmo.

Sha La La La Lee, Yeah

•7 janeiro, 2009 • Deixe um comentário

 

lastfm

Sim, foram eles que quase tomaram o posto dos Mods da vez em 1960 no Reino Unido. Apresento para vocês o Small Faces, que era liderado por Steve Marriott e Ronnie Lane, entre outros músicos. E digo uma coisa, o famooso álbum dos garotos que a maioria prestigia, Ogden’s Nut Gone Flake, não possui uma raiz tão mod quanto From the Beginning, na minha modesta opinião é claro.

Quem é que não vai escutar Hey Girl ou Sha La La La Lee e não se lembrar do Who das antigas? Qual é, o From the Beginning foi feito para grandes festas, não no sentido de tamanho, mas no sentido como tinha dito anteriormente em um post qualquer.  É uma pena que a vontade de sair dançando com este álbum esteja reservada somente para pessoas especiais, no sentido de especial mesmo.  

Eu, Lola?!

•5 janeiro, 2009 • 1 Comentário

 

kinks                                

 

A canção Lola, gravada pelos garotos Mod, The Kinks, não se trata nada nada de uma simples mocinha ou quem dirá mais o que. Top ten nos USA e UK lá pelos anos de 70, Lola faz parte do último disco dos garotos, Lola Vs Powerman And The Moneygoround,creio eu e meu google aqui. Mas quem é Lola? Um travesti. O QUÊ? Travesti. A questão é, quem estaria tão alucinado ao ponto de escrever uma música a um traveco? Pensando melhor, super atitude dos caras. Mesmo e Dave e Ray sempre causando com as suas brigas de família (mais tarde os irmãos Gallager copiariam comportamento), nem isto chamou muito a atenção do público para os garotos. E assim foram, sendo esquecidos aos poucos.

Mas fofocas a parte, estou aqui mesmo para compartilhar meu Face to Face com vocês. É um tipo de álbum para ser escutado na metade da festa, pessoas um pouco alteradas, “somos amigos para sempre”, e outras coisas do gênero. Porque o que importa mais em uma festa é a música e a bebida, de resto conseguimos com alguns goles de vodka.

Suave… Little Joy

•28 setembro, 2008 • 4 Comentários

 

Como diria um amigo meu: Suave! Essa é a palavra que eu definiria o som do Little Joy, um balanço pra você matar a saudade, só um pouquinho, de Los Hermanos (com um toque de Strokes, claro). Faz muito tempo que eu estou pra contar essa novidade pra vocês. Esse novo projeto que juntou a originalidade e a grandeza do Amarante com o rock’n roll fodástico do Fab Moretti. E a mistura não poderia sair ruim, não é? Um pedacinho do Rio de Janeiro em Los Angeles. Mas por enquanto só podemos nos deliciar com apenas três músicas, L, No One’s Better Sake, With Strangers e Brand New Day.  Parece-me que o lançamento do álbum desse projeto está com a previsão de sair em novembro. Mas por enquanto você pode escutar essas três músicas e ir treinando já para uma quem sabe visitinha deles por cá.  Entre e sinta-se… suave! http://www.myspace.com/littlejoymusic

No Toca Discos: Wandula

•23 setembro, 2008 • Deixe um comentário

Quando se fala em cenário independente, o que passa por sua cabeça? Músicas más produzidas, falta de criatividade, arranjos simplórios? Pois, com certeza, você não deve conhecer a banda curitibana Wandula. Formado por Edith de Camargo (vocal e acordeom), Marcelo Torrone (piano e teclado), Cláudio Pimentel (violão 12 cordas), Rafael Martins (guitarra), JC Branco (bateria), Felipe Ayres (harpa), Denis Nunes (baixo) e, eventualmente, Raphael Buratto (violoncelo), o grupo se destaca não só pelos arranjos atemporais, como também pela a voz aveludada da vocalista, a qual compõe músicas em francês, alemão, inglês e português. As músicas são suaves, harmônicas, fluentes… diferentes. Ainda aguardam classificação. Isso tudo é resultado de intenso trabalho, da mistura inusitada de instrumentos musicais e, é claro, do talento e criatividade dos instrumentistas.  Em entrevista exclusiva, Marcelo Torrone, que também é compositor e orientador musical, fala mais sobre a banda que é sucesso de público e crítica no cenário independente curitibano.

 

TD – Qual a origem da banda? Quando surgiu?

A banda surgiu em 1999, depois de uma viagem que fiz à Europa. Voltei cheio de idéias e convidei um amigo, o Cláudio, para ensaiar minhas músicas. Pra falar a verdade, nunca tive idéia de nada, tudo foi acontecendo. Nunca imaginaria que fossa dar nisso tudo. Depois disso eu encontrei a Edith, e convidei-a para ensaiar com a gente, mas não imaginava que ela cantava tão bem, na verdade minha intenção era um instrumentista a mais que tocasse acordeom. 

 

TD – Como é o processo de composição?

As composições geralmente partem de mim ou da Edith. Anotamos as cifras e levamos pro ensaio, aí cada um se compõe organicamente, cada qual em sua habilidade, e isso é o mais legal do Wandula, existe direção, mas todo mundo acaba compondo. Cada um se vira com sua técnica especial e o que vale mesmo é o improviso e o sentimento. Existe uma procura de fugir do convencional e explorar novas misturas, novos temperos.

 

TD – Quais lugares a banda toca? Só em Curitiba ou em outras cidades?

Em Curitiba fizemos temporada no Wonka e no Jokers, mas gostamos mesmo é de tocar em teatro. Já tocamos no Paiol, Sesc da esquina, Teatro do HSBC, Guairinha, etc. Também tocamos em São Paulo em bares como Funhouse e Milo Garage. Na Suíça tocamos nas cidades de Gallen, Zürich e Gossau. Mas ainda queremos tocar nos Sescs. Também tocamos na Fnac. Geralmente fazemos um ou dois shows ao mês.

 

TD – Há pouquíssimos harpistas em Curitiba, como é ter um deles no grupo de vocês e qual é a importância dele na banda?

É uma sorte danada ter um harpista na banda, e o Felipe veio até nós como fã, primeiramente. Mandou um e-mail dizendo coisas que me fizeram sentir uma afinidade intelectual e assim nos conhecemos e ele já mandou ver nos ensaios. A harpa ainda está em processo de adaptação na banda, pois não é fácil equalizá-la com os timbres de piano e guitarra (são muito parecidos), mas a idéia é compor agora pensando em mais este instrumento.

 

TD – Você teve a idéia de montar a banda na sua volta da Europa, o som tem toques minimalistas, Edith é suíça radicada no Brasil… a influência européia acaba por ai?

Além do minimalismo, que é um elemento mais presente no meu trabalho solo, as influências européias vêem também da Edith, por cantar em várias línguas de lá, e pelo próprio gosto de cada um na banda. E outra coisa que sempre gosto de dizer: Nós curitibanos, sofremos naturalmente a influência européia, pode perguntar para qualquer pessoa de onde seu avô ou avó eram, e vai ser muito raro alguém dizer que eram brasileiros realmente, entende? Portanto, nossas raízes, hábitos e cultura estão diretamente ligados a isso, e por isso acho o Wandula uma banda autenticamente curitibana, mesmo com o fato da Edith ser suíça, até acho que isso fixa mais essa idéia.

 

TD – Qual é o perfil do fã da banda?

Vários. Desde crianças, adultos e senhores(as). No que diz respeito a tribos, predominam pessoas que conhecem bastante música e já se cansaram do convencional. Cineastas, músicos, publicitários, arquitetos e advogados estão sempre entrando nos shows. Mas também pessoas mais alternativas, sejam elas mais urbanas ou ‘’campestres’’.

 

TD – Como você vê a atual situação da musica curitibana? É muito difícil se destacar nesse meio?

Acho que acontece. Todo mundo tem uma banda. Temos vários estilos e gente trabalhando sempre. Só acho que poucas coisas são originais, geralmente quem se sobressai são os gêneros de sempre: rock, reggae, blues, mpb. O problema do músico curitibano é reclamar demais, enquanto deveria estar trabalhando. A música exige dedicação, estudo e trabalho administrativo como qualquer outra área. E o ‘’se destacar’’ acontece naturalmente, não adianta impor. É melhor trabalhar e depois olhar para trás, e avaliar se as conquistas valem a pena para continuar.

 

TD – A banda aposta no cenário independente? É possível viver de música neste cenário?

Não dá pra viver só da banda, é claro. E se isso acontecesse, não seríamos mais independentes. Mas dá pra ganhar um pouco sim, o segredo é: trabalhar com vontade e inteligência. Mas além da banda, todos fazem outras atividades, no meu caso e do da Edith, essas outras atividades são todas ligadas à música como: aulas, trilhas sonoras, participações especiais, projetos, etc.

E digo mais, é possível sim viver de música, sem precisar tocar em barzinho todas as noites, aí entra a formação musical e a postura como músico.

 

TD – Quais são os planos da banda?

Seis meses no palco e seis meses no estúdio. Esse é um objetivo legal.

 

TD – Dá pra traçar um perfil da banda?

Perfil? Bonita e sincera. (risos)

 

* entrevista retirada do arquivo tocadiscos

 

 

 

No Toca Discos: Relespública

•12 setembro, 2008 • Deixe um comentário

 

“Dominar o mundo e não morrer como um mendigo”, até lembra fala de desenho animado, mas estes são os planos de uma das bandas da Cidade do Rock de maior destaque nacional, o Relespública, que completou a sua maioridade em 2007. O vocalista e guitarrista Fábio Elias, junto com o batera Moon e o baixista Ricardo Bastos, concederam-nos uma entrevista pouco antes de seu show na casa mais tradicional de rock curitibano, Empório São Francisco, onde o trio toca todas as quartas-feiras.

 

Uns os acham parecido com Mod e alguns até rotulam como Indie, mas a Relespública possui um tempero de originalidade que raras bandas possuem. Criar seu próprio estilo e personalidade com o rock’n’Reles. E essas hipóteses não surgiram do nada, basta perceber a salada de influências que a banda vem absorvendo. Stones, The Who, Beatles, Led Zeppelin, Jimmy Hedrix, Raul Seixas, Ira!, Ultraje a rigor, e muitos outros grandes nomes do rock nacional e rock anos 60, 70. A influência vem desde Chuck Berry a Jet, Strokes. Desde Roberto Carlos, Mutantes, até o rock brasileiro atual, dos anos 80.

 

TD – Quando foi formada? Possui a mesma formação de antes?

 Fábio - Formação é a mesma desde o início de 1989, tiveram algumas alterações, passagens de integrantes pela banda, mas sempre se manteve a mesma formação do trio desde o início. Moon na batera, Ricardo no baixo e eu, Fábio Elias, na guitarra e voz.

 

TD – Qual a origem do nome, história?

Fábio - Relespública representa tudo que pelo povo é desprezível, tudo que é feito pelo povo é reles.  A gente tava procurando um nome, sempre é difícil achar um nome para banda. Então quando a gente começou tinha uns nomes nada a ver, como Irradiação.

Moon – Decadência Nacional

Fábio - Por causa do Impeachement do Fernando Collor. A gente colocava os nomes, mas esse nome não vai durar, não vai dar. Até que surgiu o Relespública e ninguém entendeu porque, mas daí ficou esse nome mesmo (risos).

 

TD – Vocês já pensaram em largar a música para fazer outras coisas?

Fábio - Sempre mandei um foda-se pra tudo pra tocar na banda (risos). Eu não, a banda inteira, porque a gente ta junto.

 

TD – Primeiro show: como foi? Qual e quanto foi o cachê?

Fábio - O primeiro show foi muito antes do primeiro cachê (risos), foi em festinha de aniversário de amigos da escola, a gente tinha 14 anos, não tinha idade pra sair e tocar.

Moon - A gente se juntava pra toca no recreio do colégio. Eu e o Fábio estudávamos no Santa Maria e o Ricardo estudava no Positivo. Aí ele (Ricardo) matava aula, a gente se encontrava e aproveitava pra matar aula também e tocava no recreio, montava no colégio.

Fábio – Na hora da merenda (risos)

Moon – A partir da propaganda no recreio o pessoal começou a chamar a gente para festinhas e tal.

 

TD – Como foi a participação da banda no CPF, Curitiba Pop Festival?

Fábio – O CPF foi legal, pena que tudo que é bom aqui, dura pouco!

 

TD – Como se sentem por fazer sucesso em outros estados não sendo do eixo Rio – SP? 

Fábio - O sucesso vem de um trabalho diário com a música e nos enche de orgulho ao saber que pessoas de outros lugares valorizam nosso empenho em levar o rock pra outras cidades.

 

TD – Participação no MTV Apresenta.

Fábio - Foi o show das nossas vidas. Nosso melhor momento é no palco e sendo filmados por uma equipe profissional, fica tudo certo! Estamos felizes até hoje e sempre seremos gratos às pessoas que nos ajudaram a realizar esse sonho.

 

TD – Reles com outras bandas, quais foram?

Fábio - Ah… Foram várias! Ira! , Barão Vermelho, Ultraje, Engenheiros, Titãs, RPM, Pato Fu, Arnaldo Antunes, Cachorro Grande…

 

 

TD – Primeiro disco – mudou o que em relação ao último? Como fez pra gravar?

Fábio - Gravar um disco é uma grande dificuldade, ainda mais pra banda de rock no Brasil, sem gravadora, sem nada no começo. Sentava no estúdio e gravava, o que saísse ficava bom (risos). Lançava compacto, depois lançava CD demo, aí saia o primeiro CD. Para você ter uma idéia a gente começou em 89 e só foi lançar o primeiro CD mesmo em 98. Então era muito mais difícil do que hoje em dia. A gente conseguiu fazer, desde que a gente começou a gente não parou mais.

 

TD – A banda já foi rotulada erroneamente?

Fábio - Não dá pra rotular, é uma banda de rock’n roll. Reles é uma banda de rock’n roll, a gente faz rock’n Reles. A gente mesmo se rotulou.

 

TD – Qual é o perfil dos fãs da Reles?

Fábio - A moçada que curte rock, balada, bebida, mulherada, namorar, beijar e dançar. É uma moçada que curte rock.

 

TD – Existe alguma moçada que está curtindo Reles por modinha?

Fábio - Não tenho dúvida que depois que saiu o DVD, principalmente, uma moçada ficou conhecendo a gente. Não é modinha, é porque teve contato mesmo com o som da banda. A primeira vez que ouviu foi na MTV.

 

TD – CD “As histórias são iguais” – Participação do Nasi, como foi? Como se deu o convite? Videoclipe “Nunca mais”.

Fábio - O Nasi é parceiro de rock’n roll. Já o conhecia desde 90. A gente sempre ia ao show do Ira!, eu principalmente adorava, ia em todos os shows deles aqui em Curitiba e região. Viajei para ver o Ira! tocar, era muito fanático assim na época. Ainda sou fã, demais. A gente criou uma amizade legal de estrada, de se conhecer, de eles ouvirem as nossas músicas e quando a gente decidiu que ia gravar uma música inédita deles aí o Nasi pediu pra cantar com a gente. Foi um presente. Além de o Scandurra liberar uma música inédita do Ira!, tem o Nasi cantando no disco, no CD, no DVD. Então foi demais. Coisa de rock’n roll mesmo.

O clipe foi massa também. Um momento que registrou na história do rock aqui em Curitiba, porque ali tem Reles, tem Faichecleres, Dissonantes, uma moçada que ia nos shows da época, uma juventude de 2003 por aí. Então foi registrado isso aí, pra quem ouve curte. Ficou bem legal. 

 

TD – Dá aquele frio na barriga, existe algum ritual antes do show?

Fábio – O ritual a gente está os três juntos ali antes do show trocando idéia, dando risada, se concentrando. O Moon fazendo os alongamentos dele, eu aquecendo um pouco a garganta pra cantar. Eu não tenho muita frescura não (risos).

 

TD – O que nunca pode faltar nos shows?

Fábio - Cesta básica e duas garrafas de champanhe (risos). Não, a gente não leva nada, só a vontade de tocar rock’n roll. É a única coisa.

 

TD – O equipamento pesa muito?

Fábio - Nada pesa mais do que as trezentas toalhas brancas (risos). To engraçadinho hoje, né? A gente só leva o básico da banda, cordas reservas, baquetas reservas e sei lá.

Moon – Equipamento tem que perguntar pro roadie, ele que carrega (risos). Se bem que ele não é fraco (risos). A gente tem a caixa de guitarra, de baixo, de bateria, que geralmente é o que a gente usa.

 

TD – Já aconteceu de alguma vez o equipamento não ter chego, problemas com isso?

Fábio - Isso acontece, por isso que a gente leva sempre o nosso (risos).

Moon – Tem vezes que a gente não pode levar que às vezes dá problema sim, principalmente bateria. Às vezes não levam bateria, tem uns pedaços de bateria pra tocar. Aí tem que se virar. Procuro levar o máximo de coisa que eu possa pra garantir que muitas vezes sempre alguma coisa dá problema. Aí tem que fazer o show, de um jeito ou de outro. A gente dá um jeito, não pára (risos).

 

TD – Qual é a música favorita da banda?

Fábio - Todas são especiais, mas acho que “Capaz de tudo” é a música que a gente mais tocou, desde que a gente fez a música, virou um hino da Reles, tá em todo os shows. “Capaz de tudo”, com certeza. Digamos que é o nosso “Satisfaction” (risos).

 

TD – Existe alguma música que vocês toquem com menos empolgação que as outras?

Fábio - A gente sempre tem a mesma empolgação de tocar, sempre que a gente toca sai de um jeito também, por mais parecido que seja, sempre tem um detalhe ou outro que sai diferente, um improviso, um solo. Até errar em momentos diferentes da música. Até hoje a gente vai tocar e erra a mesma música que a gente sempre toca. Mas faz parte do show, a gente tem que tocar essas músicas. Imagina você ir num show dos Stones e eles não tocarem “Satisfaction”.              

 

TD – Que outra banda vocês gostariam de tocar ou abrir um show?

Fábio - The Who, Stones, Paul Mcartney (risos), não queremos nada né? (risos).

 

TD – Qual é o sonho de consumo da banda?

Fábio - Consumir, consumir (risos). Não morrer que nem o um mendigo.

 

TD – Vocês têm medo de a banda acabar?

Fábio - A gente vive com o fantasma do “será que vou conseguir tocar, levar a banda adiante”, porque é muito difícil você manter uma banda na estrada, manter uma banda ativa. Envolve dedicação tempo e dinheiro, entendeu? Manter uma banda com o equipamento funcionando, todo mundo pagando as suas contas pra poder viver, ainda mais no Brasil, que rock ainda é coisa de bandido, de maluco. Mas a gente por amor a música mesmo, a vontade de tocar junto. Se a gente tá com problema, sobe no palco e acaba o problema na hora. É a hora que a gente ta tocando, que põe pra fora tudo. A gente precisa pra viver, não tem como. A gente precisa mais da música do que qualquer outra coisa.

 

TD – Melhor show? Qual foi? Por quê?

Fábio - O melhor eu não sei. Vários shows na verdade. A gente fez show em boteco que foi marcante, já fez show no Rock in Rio que foi marcante, então não sei dizer um, não consigo me lembrar de um especial. È que nem perguntar a melhor música é perguntar qual é o melhor show. Não dá pra saber.

 

TD – Qual foi a pior coisa que aconteceu em um show?

Fábio - Foi o que eu não consegui tocar nenhuma música porque eu tava muito bêbado (risos), nunca mais aconteceu isso, de eu ficar muito bêbado (risos).

 

TD – Qual e quanto foi o maior cachê?

Fábio - Por quê? Você tá com a grana aí? Você vai pagar? Tá querendo cobrir a oferta? (risos). Eu não sei mesmo qual é o maior cachê. O maior cachê a gente não recebeu ainda (risos), não pagaram ainda.

 

TD – Quais são as maiores dificuldades da banda?

Fábio - Receber um cachê (risos). Esse que é o maior cachê de todos os tempos.

 

TD – Banda em outros lugares do país.

Fábio - Então, a gente foi sempre de cair muito na estrada, fazer show. Aí que está o nosso forte, mostrar a nossa música ao vivo.

 

TD – Qual é a visão de vocês sobre o cenário das bandas curitibanas?

Fábio – Legal! Curitiba sempre foi um celeiro de bandas. Sempre surgiram bandas legais, bandas novas surgindo a cada dia com propostas diferentes, sempre afim de tocar. É bacana, é uma cidade musical pra caramba. Curitiba é massa.

 

TD – Qual é o futuro da Reles, planos, etc.?

Fábio – Dominar o mundo e não morrer como mendigo (risos).

 

TD – Qual é o lema que a banda leva?

Fábio - Qual o nosso lema? (risos). Não tem lema nenhum. A gente nunca levantou bandeira de lema, de nada. A gente só quer tocar rock and roll e divertir as pessoas.

 

TD – Nenhum pensamento?

Fábio - Venha ao show da Reles, divirta-se e dance até se acabar (risos).

 

TD – Uma curiosidade.

Fábio - A única curiosidade é que um é cego e o outro é surdo. Um tocando surdo, outro tocando cego e assim a gente vai. Não, brincadeira. Curiosidade é só de irem ao show e assistirem lá. As nossas músicas para os curiosos já é suficiente.

 

TD – O que aconteceu de mais inusitado num show?

Moon – Teve um show em São Paulo, em a “Fumaça é melhor que o ar”, que subiu um para cantar, de repente começou a subir todo mundo. Tinha mais gente no palco quase que embaixo. A gente não conseguia nem tocar.

Fábio - Tinha mais gente no palco que no público (risos).

Moon – Não, ainda tinha bastante gente no público. Aí virou um inferno.

 

TD – Tocaria num show de novo?

Fábio - A gente queria tocar no Rock in Rio de novo, com o trio, no palco principal (risos) dessa vez. Para poder mostrar que a primeira vez que a gente tocou lá era com outra formação, a gente tava super nervoso, ansioso. Hoje em dia estaríamos muito mais preparados pra um show desses.

 

** Texto de arquivo do Toca Discos. Aguardem as próximas entrevistas!!

Lego Covers

•2 setembro, 2008 • 1 Comentário

Gente, o pessoal do lego resolveu reproduzir com as pecinhas algumas capas de discos do rock. reparem nos playmobils ! vai dizer que não é super fofo : )

Hey Mr. Tambourine Man

•26 agosto, 2008 • Deixe um comentário

 

Cigarros, xícaras de café e uma máquina de escrever. Isto era o que bastava para fazer com que Bob Dylan passasse várias noites em claro. Atividades que ele exercia mais do que cantar propriamente. Com apenas 10 dólares no bolso e um case com um violão detonado viajou pouco mais de 2000 km para chegar de Mineápolis – Minnesota, onde estava cursando a faculdade e acabou largando, até a grande Nova York.  A cidade estava coberta de neve quando Robert Allen Zimmerman – ou como se denominaria mais para frente, Bob Dylan – pisou nela pela primeira vez em 1961, e isso mudou sua vida, a música mundial e de muitas outras pessoas radicalmente – assim como a minha também.  

 

Quando chegou a Nova York, dizia a quase todos que havia conhecido que tinha vindo de Minnesota em um trem de carga. Bobagem! Era apenas para impressionar e se tornar diferente das pessoas a sua volta, e isto pode ter certeza de que ele era. Mais do que diferente, era inovador. Quando terminou a escola mal via a hora de sair da pequena cidade do interior e partir para o sonho de Nova York, o ninho de cantores e compositores que deliravam a cabeça de qualquer músico de começo de carreira.

 

Se você acha que a idéia de montar uma banda é algo complexo para você, não desamine, Bob sofria do mesmo mal. Toda vez que montava uma banda essa se tornava completa, geralmente um cantor que não tinha a sua, levava a de Bob embora. Não porque este cantor era melhor que o Bob, mas porque eles conseguiam lugares para tocar e consequentemente mais dinheiro, todos eram atraídos por isso. Sempre lamentava com sua avó, sua grande confidente, que o aconselhava não levar para o lado pessoal. Dizia coisas do tipo: “Existem algumas pessoas que você nunca será capaz de conquistar. Deixe para lá – deixe por isso mesmo”.

 

Se Bob soubesse na época o quanto ele faria sucesso talvez não teria dito: “Meu estilo era errático e pesado demais para caber no rádio, e, para mim, as canções eram mais importantes que um simples entretenimento ligeiro”.

 

Os jovens se sentiam confortados e se identificavam com suas músicas, pelo menos boa parte deles. E Dylan não as fazia para que o público gostasse, afinal, ele sabia que nunca poderia agradar a todos, sempre haveria uma porção de pessoas que não concordariam com suas palavras. Sentia isso em seus shows, que na maioria deles sempre havia uma porção que o vaiava por algum motivo. Sempre detestou que chamassem suas canções de músicas de protesto. O apresentador do Festival de Folk Newport, 1963, disse ao apresentar Dylan, “ele sente a pulsação da nossa geração”.

 

Mas, mas, e esse “Bob Dylan”, de onde veio? Dylan nunca usou seu verdadeiro nome. Nas suas primeiras apresentações, se identificava como Elston Gunn. Em casa, o chamavam de Bobby. Uma vez leu alguns poemas de Dylan Thomas e achou que a letra D soaria melhor com o nome. Pensou em usar Bobby, mas achava que soava boboca demais. Então resolveu Bob. Bob Dylan.

 

Ele já pensou várias vezes em parar com tudo. “Para mim já era o suficiente, eu já estava cansado da cena toda. Soubesse disso ou não, estava procurando parar por um tempo. Estava cansado de ser pressionado e martelado, esperavam que respondesse às perguntas. Era suficiente para saturar alguém”. Seria uma tristeza, não?

 

Dylan sentia necessidade de fazer com que as pessoas o escutassem, por isso a necessidade de tocar em qualquer lugar onde havia público, seja de graça ou pagando bem. Essa era sua verdadeira alma. Foi justamente o que ele desejou que aconteceu, hoje, sendo um dos maiores ícones da música “folk-rock”, ou o estilo que bem entendem, conseguiu que todos, ou pelo menos boa parte das pessoas escutasse o que ele tinha para dizer em suas grandes canções. “Não liguem para mim, liguem para as canções. Sou apenas o carteiro que as entrega”.

 

Acho que agora posso te convencer a escutar o sir. Bob Dylan. Não o escute com ouvido de século XXI, mas com ouvidos limpos de década de 60. Faça isso e veja a diferença. Genial!

No Toca Discos: Cosmonave

•16 agosto, 2008 • 14 Comentários

Perceber as influências pode ser fácil, mas colocar um estilo para eles? Hm, difícil. Rock? Sim, claro que é. Porém, saber de qual rock aqui que estamos falando talvez seja coisa de outro mundo mesmo. E esses garotos, (da esq. para dir.) Ricardo na batera, Matheus Canali na guitarra, Yuri Lemos no baixo e Yan Lemos na guitarra e vocal, não estão muito preocupados com isto. O importante é curtir o som sem rótulos ou pré conceitos. Afinal, tudo é rock’n roll mesmo, especialmente este, que é coisa fina. Apresento para vocês a Cosmonave, uma banda nova curitibana e que faz um som muito bom pela cidade rock. Quem já os ouviu sabe do que eu estou falando. Segue a entrevista.

TD – A banda existe desde o ano passado, e antes disso alguém de vocês já tocavam em alguma outra banda?

Yan – Eu tocava com o Matheus, lá em casa, daí a gente tinha a idéia de montar uma banda. E o Ricardo meio que tava aprendendo a tocar bateria sozinho, na cama dele, numa cadeira..

Ricardo – Bateria imaginária.

Yan - Comprou uma baqueta e foi treinar. Eu passei umas bases pra ele que eu tocava um pouco que bateria. E nisso ele comprou a batera dele. Quando ele comprou a batera dele a gente começou a ensaiar. Daí o Yuri entrou para banda um pouco depois, e a gente não tocava, nunca tocamos. A primeira banda e sempre fazendo música própria.

TD – Eu tava lendo no MySpace de vocês que vocês pretendem, através da música, mostrar a realidade contemporânea do mundo. Qual é essa visão de vocês?

Yan – Depressão é o mal do século. As letras, o que a gente mostra nas nossas letras é um certo desespero, fala de amor, fala da vida, dos amigos, da sociedade. Uma coisa que eu sinto muito no mundo é a depressão. Todo mundo quer se cortar, ou quer chorar.

Yuri – A gente mostra para as pessoas as músicas para elas falarem assim: “Putz, é assim cara”. As pessoas já chegaram e falaram: “Poxa, eu me identifico com as suas letras”. Porque a gente passa uma coisa verdadeira.

TD – Mas alguém já teve depressão ou já fez alguma coisa para poder escrever?

Ricardo – Não. Nós somos pessoas muito felizes (risos). A gente é meio fechado e tal, mas nunca passamos por depressão, ficar mal, trancado. Claro que alguma vez na vida, como sempre tem, mas não de ficar trancado no quarto compondo canções para lançar a minha banda. Não, sempre quando dá na telha eu vou lá e escrevo que eu to sentindo. Sobre alguém que eu conversei ou sobre alguma coisa.

Matheus – Se a gente fica mal a gente vem tomar uma cerveja (risos). E quando ta bem também.

TD - No MySpace de vocês também fala muito em rótulos, na sociedade que rotula muito. E queria saber se vocês falam isso porque já foram rotulados…

Yan – Hmm, não.

Yuri – Eu não me importo. Curtindo o nosso som, podem chamar a gente de “axezeiro”(risos).

TD – Acho que não vão chamar vocês de “axezeiros”. Mas aquela coisa de música alternativa…

Yan – O rock em si já é uma forma de fazer música, dar liberdade de fazer o que você quiser. E o que você quiser é o punk, o alternativo, o hardcore. É rock’n roll, tudo é rock’n roll. Sei lá, nunca rotularam a gente, nunca vieram falar: “Opa, a banda é assim ou assado”.

Matheus – Talvez já tenham falado.

Yuri – Uma vez vieram perguntam: “Mas porra, o que vocês são?”. E a gente fala, é isso aí, não tem que decifrar, só curte.

Yuri – Hoje, o que ta na mídia, o que você vê? Banda enlatada, você sabe que “putz, mais uma banda que toca esse tipo de som, esse tipo de guitarra, esse tipo de letra”. A última coisa nova que apareceu, por incrível que pareça, foi, sei lá, Charlie Brown.

Yan – Charlie Brown, Charlie Brown mudou tudo.

TD – E as influências?

Yan – Faça o seu som. Use aquilo que você gosta para enriquecer o seu trabalho junto com outras coisas. Escuta hardcore, mas escuta jazz, ta ligado.

TD – Mas o que vocês usam para fazer as músicas que vocês? Axé não né…

Yan – Não. A gente diz, escute para poder criticar. Não fica falando, ahh porque isto é uma merda. Vai que você ouve e acha até interessante, às vezes, alguma batida.

TD – Mas pelo jeito vocês têm influências bem diferenciadas…

Yuri – Sim e não. A gente gosta das mesmas coisas e gosta de coisas diferentes.

TD – A gente queria ter uma idéia de onde vem as influências de vocês…

Yan – Nirvana, The Vines, Beatles. É uma cosia diferente, de Caetano Veloso a Led Zeppelin.

TD – E vocês pretendem um dia sair daqui?

Matheus – A gente vai sair daqui, nem que a gente morra em São Paulo…

Yan - A gente não ta apressado, a gente não ta afobado. A gente acha que isso vai acontecer. Enquanto não der o Yuri estuda. Além da banda a gente tem que trabalhar, faculdade. Então é uma coisa que vai, relativamente, crescendo. A gente vai tocar, vai criar nome, e quando a gente tiver a oportunidade a gente vai fazer o possível.

TD – Vocês sempre usam o mesmo setlist nos shows?

Yan – Não. Ontem eu saí do bar porque eu tinha que resolver uns lances e quanto eu voltei já era hora de tocar, e eu subi no palco e na hora que ia começar eu falei: “Qual que é?”. E o Bozo (Ricardo): “Não tem set, cara”. E eu falei: “Como assim?”. Aí ele falou, “ah, vai alucinado fantasma”. E aí a gente começou com uma e o show foi. “E agora a gente vai tocar”, aí eu olhava para alguém da platéia e “fala uma”.

TD – Vocês não acham que estão formando um grupo fechado entre as bandas Cosmonave, Trem Fantasma e Crocodilla?

Yan – Não, a gente quer mais bandas. Venham, venham…

Yuri - Se a gente der certo primeiro a gente quer puxar todo mundo junto, ta ligado. Tem, que ter uma união, ta ligado. Como é que funciona em São Paulo? Isso vem da década de oitenta, cara. Com Titãs, Ultraje a rigor, Capital Inicial, tudo essas bandas. Só tinha uma alternativa cara. E eles trabalhavam juntos. Não fechavam show por menos de tanto, não gravavam por menos de tanto.

Yan – O rock Ascende Curitiba, acho que não deu mais certo, não sei, era um lance legal que já reunia as galeras, com reunião no Porão com o pessoal das bandas, mas não foi para frente.

TD – Vocês fazem cover às vezes?

Yuri – Não, a gente não acredita em cover.

Yan – A gente não acredita em cover.

Yuri – A gente acredita, esporadicamente, em novas bandas.

TD – E nem no ensaio rola?

Yuri – Rola cover de Trem Fantasma, Crocodilla.

Yan – Rola. A gente toca uma versão de John Lennon, por ser John Lennon, e uma música da Mordida. Uma versão também, não é um cover.

Bom, a gente vai ficando com a entrevista por aqui. Quer saber mais? Entra no MySpace dos meninos, http://www.myspace.com/cosmonave e veja que eu estou falando a verdade aqui. Lá também é possível ver a agenda de show deles, para quem quiser conferir ao vivo.

Deixa a chave entrar…

•13 agosto, 2008 • Deixe um comentário

Há tempos que eu tinha vontade de criar um blog só sobre bandas curitibanas. Eu já escrevia (e ainda escrevo) em um blog sobre música, mas nunca tive muita coragem de começar tudo de novo, ainda mais para escrever para um público tão específico. Pois bem, o convite de minhas colegas para escrever aqui no Toca Discos sobre as bandas locais não poderia ter vindo em melhor hora. Acredito que o cenário musical que Curitiba vive atualmente é um daqueles momentos dos quais nós, jovens, vamos sentir muita nostalgia daqui a uns 20 anos.

Mas eu sou uma daquelas pessoas que ainda vivem um pouco no passado. Sabe como é, saudades de um tempo não vivido. E se tem uma banda que todos os fãs da música paranaense têm o dever de conhecer, essa banda é A Chave. 

A banda durou dez anos (de 1969 a 1979), e tinha como parceiro o poeta Paulo Leminski, que colaborava nas letras. Daí já viu, não dá pra sair coisa ruim. A formação contava com o Paulinho Teixeira nas guitarras, Ivo Rodrigues nos vocais, Carlão Gaertner no baixo e Orlando Azevedo na bateria.

O engraçado é que nos shows do Blindagem- banda na qual o Paulinho Teixeira e o Ivo ainda tocam juntos- sempre surge do meio da multidão uns gritos de “toca uma da Chave!”. Normalmente esses pedidos não são de quem tava lá, nos anos 70 pra preseciar um show da banda. São de gente que não tava nem usando fraldas ainda quando o Ivo estava cantando seus “tchutchutchras” .

Bom, pra quem se interessar, eu recomendo procurar o cd que foi descoberto recentemente e que está à venda nas lojas de compra e troca de cd’s no centro da cidade (pelo menos foi onde eu comprei o meu). E deixa a chave entrar!

Obs: O Orlando Azevedo atualmente é fotógrafo. Dos muito, muito bons. Daqueles que os estudantes de Comunicação (como as pessoas que escrevem nesse blog) tanto ouvem falar nas aulas de fotografia.

 
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