Mistura de Sentidos

 

Hoje de manhã estava pensando qual seria o meu primeiro texto no Toca Discos. Ah, claro que deveria ser sobre música, mas seria muita responsabilidade escolher uma banda ou um disco para inaugurar esse blog. Imagine só, você lendo esse post e pensando: puxa, essa Mariana poderia ter escolhido coisa melhor, nem boto fé nesse site. Cadê aquele cd legal do Gun’s? Será que ela não vai falar sobre ele? Tá, confesso que não ouço Gun’s ‘N’ Roses há muito tempo, mas prometo para você, usuário de uma cartola igualzinha a do Slash, que quando o Chinese Democracy sair aqui no Brasil, eu farei questão de redigir um texto em homenagem aos fãs que aguardaram ansiosamente a volta dessa lenda do rock. Lembre-se: isso se o Chinese Democracy chegar às lojas brasileiras algum dia.

 

Bom, vamos ao que interessa. Meu amor pelos cd’s é antigo, desde pequena compro aquelas caixinhas de plástico de 12 cm. É, confesso que passei por Xuxa, Angélica e até Chiquititas, mas não me arrependo, pois apesar de ter mudado meu gosto musical, não abandonei o hábito.

 

Lembro-me de quando comecei a escutar rock. Não vim de uma família com vasta cultura musical, aqui em casa não tem nem cd do Pink Floyd. Mas pelo menos tem uns do Queen, pois Freddie Mercury é louvado de forma unânime por aqui. Então aprendi a me virar sozinha. MP3? Nunca. Internet discada não me permitia essa modernidade. Quando conseguia baixar uma única música que via no antigo programa da MTV “Supernova”, baixava mais 50 vírus de brinde. Legal né? O que me restou? Comprar cds. Ah, essa paixão me persegue até hoje. Quando vou viajar, sempre levo uma listinha com os discos que tenho que procurar, afinal, alguns não existem aqui no Brasil né? Na minha última viajem, quase que poderia ser presa por contrabando de cds. Só 20 cds na minha mochila. Além dos dvds e dois vinis que não podia deixar de comprar: Ok Computer (clássico do Radiohead) e Neon Bible (que na época era lançamento do Arcade Fire). Minha vitrola estava aguardando por eles. Chegando aqui, a emoção. Colocar aqueles discos para rodar com aquela agulha, ouvindo a primeira faixa, Airbag, na vitrola. A voz do Thom Yorke até fica diferente. Há coisas na vida que não tem preço. Mas essa tinha, o preço da vitrola mais o preço do vinil.

 

Talvez até agora você não tenha entendido o porquê do título deste post. Agora eu juro que começo o real texto que inicialmente me dispusera a fazer. Você muitas vezes já comprou livros pela capa, alugou filmes por causa da capa… e comprar cds? Você já comprou pela capa? Eu já. E várias vezes. Confesso que é diferente, não há sinopse ou resenha em capas de cd. Você compra sem nem saber a que estilo a tal “banda” pertence. Já imaginou comprar um disco do Iron Maiden no lugar do Mika? Não, nem imagine, pois isso não vai acontecer. Comigo, pelo menos nunca aconteceu, e olha que já passei por várias compras de risco nesse mundo musical. Acredite, na maioria das vezes, o design da capa de um cd representa seu conteúdo. E digo mais, basta um pouco de discernimento para imaginar se você vai gostar ou não do que tem dentro da caixinha 12 por 12. O mesmo ocorre com embalagens de perfume sabia? As fragrâncias representam cores, e estas chamam a atenção de quem provavelmente tem o perfil da fragrância.

 

Bom, minha primeira aventura pelas discografias aconteceu quase sem eu perceber. Era uma capa linda, a arte, mais ainda. Mas onde estava o nome da banda? Não havia visto, mas agarrei aquele que seria o ultimo Adore existente. Vi o preço, 45 reais. Puxa! Será que vou levar um cd de 45 reais só pela capa? Sim, vou. Tinha 13 anos, mesada contada. Comprei. Cheguei em casa e peguei meu discman, ouvi. Puxa, que cd. Foi amor a primeira audição. Essa compra inconseqüente me levou a descobrir uma banda que narraria alguns anos de minha vida. Até hoje, ouço esse disco e falo pra mim mesma: Puxa, que foda!

 

Me empolguei nessa coisa da surpresa. Pra quem sempre gostou de música, essa sensação inesperada era muito boa. Alguns outros vieram depois do famoso “Adore”. Arcade Fire, Auf Der Maur, Cat Power, Chet Baker, Velvet Underground (e a famosa banana do Andy Warhol)… Só pra citar alguns. Lembro-me também quando comprei o segundo cd do Coldplay. Aquela capa branquinha com aquela estátua me chamou atenção. Todos me chamaram de louca. É, foi um pouco indigesto a princípio, mas hoje é um sucesso. Uhul! Mais uma compra bem sucedida.   

 

E você? Que tal se arriscar a comprar uma coisa para agradar os ouvidos, com os olhos? Aposto que essa mistura de sentidos vai te surpreender. Só não vale comprar discos que têm aquela capa com a foto de perfil dos músicos. Além de ser brega (Richard Clayderman que me perdoe), há uma grande probabilidade que você fique traumatizado com as músicas e nunca mais tente fazer essa experiência de novo.

 

Falando nisso, lembra do Axl Rose? É, aquele do início do texto! Então, parece que ele aprendeu a usar o Paint e decidiu fazer uma obra de arte na capa do Chinese Democracy. Definitivamente, não compraria esse disco.

 

Quando comprei, esse disco não era fabricado mais. Talvez hoje, com essa volta do Smashing Pumpkins você o encontre.

 

 

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~ por mariloki em 8 julho, 2008.

Uma resposta to “Mistura de Sentidos”

  1. Supernova! Eu adorava assistir Supernova, principalmente pela abertura. A menina na fila usando um all star sujo azul marinho. Eu me identificava com ela…

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