No Toca Discos: Trem Fantasma

Muito rock n’ roll e uma pitada, ou melhor, uma colherada de psicodelia. Para quem não acreditava que alguém não fosse mais lembrar de Mutantes, Jimi Hendrix e Led os garotos do Trem Fantasma vieram para mudar essa idéia. Juntos (da esq. para a dir.) o batera Yuri Vasselai, o vocalista e baixista Rayman Juk, o guitarrista e Leonardo Montenegro e nos concederam uma entrevista para o Toca Discos. Sem mais, vou deixar que você mesmo confira como foi “a viagem”.

TD – Como que começou a banda?

Leonardo – A gente tinha uma outra banda que acabou, daí a gente queria fazer uma banda nova. A gente fez uma outra banda, que era os Delirantes, tiramos o guitarrista e acabou virando Trem Fantasma.

TD – Há quanto tempo mais ou menos o Trem Fantasma existe?

Rayman – A gente tem esse nome há quatro meses, cinco meses.

Yuri – Seis.

TD – E quais são as influências de vocês?

Rayman – Bastante psicodelia, anos setenta. Mais Beatles, Stones, Mutantes, Pink Floyd, Led Zeppelin.

Yuri – Jimi Hendrix Experience.

Rayman – Cream, bastante Cream.

TD – Qual a origem do nome da banda?

Rayman – A gente ia se chamar Delirantes e a gente achou o nome muito comum, Delirantes, e a gente tava achando que não tinha muito a ver com o nosso som. Daí, por causa dos Mutantes, eu sugeri Trem Fantasma. Eu achei que eles nem iam gostar, daí eles gostaram bastante e tal e a gente deixou Trem Fantasma.

Leonardo – E o sentido do nome tem bastante a ver. Dá sentido de mobilidade.

TD – O ensaio acontece na casa de quem, em um estúdio?

Leonardo – Lá em casa.

Yuri – Onde tudo pode acontecer (risos).

TD – Vizinho já andou reclamando?

Yuri – Ele já mandou flores para a gente dizendo assim, “toma seus merda”.

TD – Sério?

Yuri – Não (risos).

Rayman – Na verdade já chamaram a polícia uma vez, não na casa dele (do Leonardo), na minha casa.

TD – Como que foi?

Rayman – Se os caras tivessem pedido pra gente parar a gente teria parado. E eram nove horas da noite, não eram nem dez ainda. E o policial chegou e falou: “Olha, o pessoal ta reclamando do barulho alto”. Aí eu cheguei e falei: “Mano, mas não são nem dez horas”. Aí ele falou: “Não tem hora para incomodar os vizinhos”. Aí eu falei “desculpa”. E o cara disse que se tivesse uma outra ocorrência a gente ia ter que pagar uma multa.

Yuri – E a gente percebeu que ele não era do rock.

Rayman – É, não era do rock (risos).

TC – Era do pagode?

Yuri – Não, era da Bossa (risos).

TD – Vocês têm alguma história louca da banda para contar para a gente?

Leonardo – Teve uma vez que a gente quase brigou com uns metaleiros.

Yuri – No EREA.

Leonardo – Foi louca no EREA lá.

Yuri – EREA, EREA quer voar!

Rayman – Os caras são ignorantes, os jovens de hoje são ignorantes, e a gente tava com umas roupas extremamente coloridas, igual no show do Matanza. Aí um cara chegou e falou “esses aí são emos”. Aí o Léo foi lá e falou: “A gente ta tocando num show que você ta pagando, idiota”.

TD – O que vocês acham do cenário do rock curitibano?

Rayman – Cara, eu acho que é ótimo. Tem bandas realmente muito boas. Realmente mesmo. E pena que não é reconhecido. Como a maioria das banda no mundo. A gente imagina que deve existir muitas bandas boas, que a gente não tem acesso, que a gente não tem a oportunidade de conhecer. Só que o cenário daqui é bom, só que os usuários daqui não valorizam, não falam direito e a gente não tem como crescer.

TD – Vocês acreditam na história de que se você não estiver no eixo Rio – São Paulo você não faz sucesso?

Leonardo – Eu acho que não. Um pouco sim, mas eu acho que no Rio – São Paulo tem mais concorrência ainda que aqui.

Rayman – Acho que para o nosso estilo, para o nosso tipo de rock, que tem aqui no cenário de Curitiba não é um tipo de rock que daria certo no eixo Rio – São Paulo. Tanto que Faichecleres foi para lá e nem fizeram tanto sucesso. Eles eram mais famosos quando eles eram daqui, tanto é que o Giovani saiu e tal. O que dá certo lá é o que apostam. E porque lá é onde as coisas acontecem. Não é o contexto de lá, o contexto daqui é mais foda do que o de lá, eu acho. Nunca fui para lá.

Yuri – Eu não sei, acho que não dá para saber. De vez em quando surta uma banda do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e tal. Mas acho que vai muito do cara que é produtor e faz as bandas crescerem. Um amigo meu que toca numa banda profissional ele conhece essas coisas de produtor e tal. Teve um cara do, o NX Zero, o cara foi lá e pescou o NX Zero sendo que eles eram de um jeito totalmente diferente. Aí o produtor falou: “Olha, vocês têm que ser assim e assim”. E isso é difícil hoje em dia, tipo, não sei falar. Isso mesmo, de repente aparece uns caras que pescam bandas de outro estado e que faz passar para esse eixo Rio – São Paulo.

Rayman – É que geralmente uma banda que faz sucesso é uma banda que é mais fácil de digerir, direta.

TD – E vocês já foram rotulados erroneamente?

Leonardo – Já falaram que a gente toca progressivo.

Yuri – Já chamaram a gente de, não nada a ver, não tinham visto a gente tocar.

Rayman – Emo?

Yuri – É.

Rayman – Sei lá, só porque a gente tem franja. Nem tem muita franja.

Yuri – Não tem jeito, os caras querem rotular tudo. Quando eu tinha cabelo comprido um cara me chamou de grunge psicodélico (risos).

TD – Qual foi o show mais marcante de vocês?

Rayman – Foi no Master Hall, Master Hall não, no aniversário de Curitiba.

Yuri – Acho que foi no Callas.

Leonardo – Qual que foi no Callas?

Yuri – Foi com o Matanza. Eu achei. Os caras do Master Hall nem curtiram tanto, os caras do Callas curtiram pra caralho.

Rayman – Mais marcante da minha vida, que a gente fez, da banda, acho que esse do Callas e o do aniversário de Curitiba, que foi na praça do Atlético. Foi o primeiro show oficialmente como trio.

TD – E o apoio da família, eles incentivam?

Rayman – Meu pai é músico, mais do que profissional. Não sei nem o que dizer. Incentiva mais do que qualquer coisa.

Leonardo – Meu pai que me incentivou a começar.

Yuri – Meus pais me incentivam bastante, se bem que às vezes eles pegam no pé. Hoje a minha mãe me deu uma “chunchada” no pé hoje e eu fiquei meio de cara, aí eu matei ela (risos). Não, brincadeira.

Leonardo – Ela é do rock.

Yuri – Ela é do rock também, mas nem tanto do rock quanto a gente.

Rayman – Eles acham que é um ramo que a gente não vai se dar muito bem.

TD – Vocês não acham que essas bandas que estão começando agora estão se fechando em um grupo?

Rayman – É, acho que sim. A gente não ta se fechando. Isso que é bom nosso, a gente tem bastante divergência.

Leonardo – A gente quer tocar onde a gente encaminhe o nosso show de um jeito legal.

Rayman – A gente não fica pedindo para os nossos amigos para entrar na comunidade, a gente pede para entrar quem curtiu o som. E não falar, “oh, fala para uns dez amigos seus entrar lá”.

TD – Qual é o futuro de vocês, o futuro da banda?

Yuri – Meu futuro é tocar daqui a pouco ali (risos). Daqui uns minutos.

Rayman – O que é o futuro para você?

TD – Ah, shows, lançar disco, cd, etc.

Leonardo – A gente quer gravar um disco, a gente pretende gravar um vinil, é um sonho, assim, e sei lá, basicamente não é ser muito famoso. Só poder viver dignamente.

Yuri – Que as pessoas nos escutem.

TD – Qual é a sensação de vocês tocarem um som melhor do que de muito marmanjo?

Leonardo – Ah, a gente não olha por esse lado de tocar mais foda, existem estilos e estilos.

Rayman – Não tem como você comparar, é que musicalmente tem estilos mais fracos. Óbvio que a gente não é nada.

O que você considera por um estilo mais fraco?

Yuri – Ah cara, deixa eu pensar. Ah, os caras acham que ta fazendo um negócio bom e não é, tipo NX Zero não é um negócio bom (risos). Não é simplesmente porque eu não gosto, entendeu? Eu não gosto e eu acho ruim. Os caras não são bons realmente.

Rayman – São boyband.

Yuri – Eles são uma imagem.

Rayman – Não é uma música melodicamente inteligente, não é, não são letras inteligentes, não é um som bom.

TD – E vocês já renunciaram alguma coisa por causa da banda?

Rayman – Minha prioridade é totalmente minha banda. Qualquer coisa, do que trabalho. Se precisar faltar no trabalho para ir tocar, eu toco. Sei lá. Deixar de ir para a aula já deixei para me inscrever em festival. Minha prioridade total.

TD – Qual é a música do Trem Fantasma que vocês consideram a melhor?

Rayman – “Trem Fantasma Chegou” que é o nosso tema de abertura. A gravação deu 14 minutos.

TD – E a música que vocês tocam, mas nem gostam muito, e que a galera curte?

Rayman – “Sua Otária”. É uma música que todo mundo gosta e sei lá, todo mundo canta, mas a gente não gosta. Não é que a música é ruim mas que a gente enjoa de tocar por todo mundo gostar, entendeu?

Para quem ainda não conhece a psicodelia harmônica do trio do Trem Fantasma pode conferir a agenda dos garotos na comunidade do Orkut. Isso se você for uma pessoa do rock e curtir coisa fina. Em breve eles estarão lançando o My Space também.

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~ por eloacruz em 27 julho, 2008.

3 Respostas to “No Toca Discos: Trem Fantasma”

  1. Mó bacana a entrevista! A nossa também, mandaram bem!

  2. EU JA FUI NO SHOW GOSTEI DO SOM MAIS NAO CONSIGO BAIXAR E NEM OUVIR AS MUSICAS NA INTERNET

  3. That’s it fellows! It’s a long way to the top with you wanna rock’n’roll.

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