Hey Mr. Tambourine Man

 

Cigarros, xícaras de café e uma máquina de escrever. Isto era o que bastava para fazer com que Bob Dylan passasse várias noites em claro. Atividades que ele exercia mais do que cantar propriamente. Com apenas 10 dólares no bolso e um case com um violão detonado viajou pouco mais de 2000 km para chegar de Mineápolis – Minnesota, onde estava cursando a faculdade e acabou largando, até a grande Nova York.  A cidade estava coberta de neve quando Robert Allen Zimmerman – ou como se denominaria mais para frente, Bob Dylan – pisou nela pela primeira vez em 1961, e isso mudou sua vida, a música mundial e de muitas outras pessoas radicalmente – assim como a minha também.  

 

Quando chegou a Nova York, dizia a quase todos que havia conhecido que tinha vindo de Minnesota em um trem de carga. Bobagem! Era apenas para impressionar e se tornar diferente das pessoas a sua volta, e isto pode ter certeza de que ele era. Mais do que diferente, era inovador. Quando terminou a escola mal via a hora de sair da pequena cidade do interior e partir para o sonho de Nova York, o ninho de cantores e compositores que deliravam a cabeça de qualquer músico de começo de carreira.

 

Se você acha que a idéia de montar uma banda é algo complexo para você, não desamine, Bob sofria do mesmo mal. Toda vez que montava uma banda essa se tornava completa, geralmente um cantor que não tinha a sua, levava a de Bob embora. Não porque este cantor era melhor que o Bob, mas porque eles conseguiam lugares para tocar e consequentemente mais dinheiro, todos eram atraídos por isso. Sempre lamentava com sua avó, sua grande confidente, que o aconselhava não levar para o lado pessoal. Dizia coisas do tipo: “Existem algumas pessoas que você nunca será capaz de conquistar. Deixe para lá – deixe por isso mesmo”.

 

Se Bob soubesse na época o quanto ele faria sucesso talvez não teria dito: “Meu estilo era errático e pesado demais para caber no rádio, e, para mim, as canções eram mais importantes que um simples entretenimento ligeiro”.

 

Os jovens se sentiam confortados e se identificavam com suas músicas, pelo menos boa parte deles. E Dylan não as fazia para que o público gostasse, afinal, ele sabia que nunca poderia agradar a todos, sempre haveria uma porção de pessoas que não concordariam com suas palavras. Sentia isso em seus shows, que na maioria deles sempre havia uma porção que o vaiava por algum motivo. Sempre detestou que chamassem suas canções de músicas de protesto. O apresentador do Festival de Folk Newport, 1963, disse ao apresentar Dylan, “ele sente a pulsação da nossa geração”.

 

Mas, mas, e esse “Bob Dylan”, de onde veio? Dylan nunca usou seu verdadeiro nome. Nas suas primeiras apresentações, se identificava como Elston Gunn. Em casa, o chamavam de Bobby. Uma vez leu alguns poemas de Dylan Thomas e achou que a letra D soaria melhor com o nome. Pensou em usar Bobby, mas achava que soava boboca demais. Então resolveu Bob. Bob Dylan.

 

Ele já pensou várias vezes em parar com tudo. “Para mim já era o suficiente, eu já estava cansado da cena toda. Soubesse disso ou não, estava procurando parar por um tempo. Estava cansado de ser pressionado e martelado, esperavam que respondesse às perguntas. Era suficiente para saturar alguém”. Seria uma tristeza, não?

 

Dylan sentia necessidade de fazer com que as pessoas o escutassem, por isso a necessidade de tocar em qualquer lugar onde havia público, seja de graça ou pagando bem. Essa era sua verdadeira alma. Foi justamente o que ele desejou que aconteceu, hoje, sendo um dos maiores ícones da música “folk-rock”, ou o estilo que bem entendem, conseguiu que todos, ou pelo menos boa parte das pessoas escutasse o que ele tinha para dizer em suas grandes canções. “Não liguem para mim, liguem para as canções. Sou apenas o carteiro que as entrega”.

 

Acho que agora posso te convencer a escutar o sir. Bob Dylan. Não o escute com ouvido de século XXI, mas com ouvidos limpos de década de 60. Faça isso e veja a diferença. Genial!

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~ por eloacruz em 26 agosto, 2008.

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