No Toca Discos: Relespública

 

“Dominar o mundo e não morrer como um mendigo”, até lembra fala de desenho animado, mas estes são os planos de uma das bandas da Cidade do Rock de maior destaque nacional, o Relespública, que completou a sua maioridade em 2007. O vocalista e guitarrista Fábio Elias, junto com o batera Moon e o baixista Ricardo Bastos, concederam-nos uma entrevista pouco antes de seu show na casa mais tradicional de rock curitibano, Empório São Francisco, onde o trio toca todas as quartas-feiras.

 

Uns os acham parecido com Mod e alguns até rotulam como Indie, mas a Relespública possui um tempero de originalidade que raras bandas possuem. Criar seu próprio estilo e personalidade com o rock’n’Reles. E essas hipóteses não surgiram do nada, basta perceber a salada de influências que a banda vem absorvendo. Stones, The Who, Beatles, Led Zeppelin, Jimmy Hedrix, Raul Seixas, Ira!, Ultraje a rigor, e muitos outros grandes nomes do rock nacional e rock anos 60, 70. A influência vem desde Chuck Berry a Jet, Strokes. Desde Roberto Carlos, Mutantes, até o rock brasileiro atual, dos anos 80.

 

TD – Quando foi formada? Possui a mesma formação de antes?

 Fábio – Formação é a mesma desde o início de 1989, tiveram algumas alterações, passagens de integrantes pela banda, mas sempre se manteve a mesma formação do trio desde o início. Moon na batera, Ricardo no baixo e eu, Fábio Elias, na guitarra e voz.

 

TD – Qual a origem do nome, história?

Fábio – Relespública representa tudo que pelo povo é desprezível, tudo que é feito pelo povo é reles.  A gente tava procurando um nome, sempre é difícil achar um nome para banda. Então quando a gente começou tinha uns nomes nada a ver, como Irradiação.

Moon – Decadência Nacional

Fábio – Por causa do Impeachement do Fernando Collor. A gente colocava os nomes, mas esse nome não vai durar, não vai dar. Até que surgiu o Relespública e ninguém entendeu porque, mas daí ficou esse nome mesmo (risos).

 

TD – Vocês já pensaram em largar a música para fazer outras coisas?

Fábio – Sempre mandei um foda-se pra tudo pra tocar na banda (risos). Eu não, a banda inteira, porque a gente ta junto.

 

TD – Primeiro show: como foi? Qual e quanto foi o cachê?

Fábio – O primeiro show foi muito antes do primeiro cachê (risos), foi em festinha de aniversário de amigos da escola, a gente tinha 14 anos, não tinha idade pra sair e tocar.

Moon – A gente se juntava pra toca no recreio do colégio. Eu e o Fábio estudávamos no Santa Maria e o Ricardo estudava no Positivo. Aí ele (Ricardo) matava aula, a gente se encontrava e aproveitava pra matar aula também e tocava no recreio, montava no colégio.

Fábio – Na hora da merenda (risos)

Moon – A partir da propaganda no recreio o pessoal começou a chamar a gente para festinhas e tal.

 

TD – Como foi a participação da banda no CPF, Curitiba Pop Festival?

Fábio – O CPF foi legal, pena que tudo que é bom aqui, dura pouco!

 

TD – Como se sentem por fazer sucesso em outros estados não sendo do eixo Rio – SP? 

Fábio – O sucesso vem de um trabalho diário com a música e nos enche de orgulho ao saber que pessoas de outros lugares valorizam nosso empenho em levar o rock pra outras cidades.

 

TD – Participação no MTV Apresenta.

Fábio – Foi o show das nossas vidas. Nosso melhor momento é no palco e sendo filmados por uma equipe profissional, fica tudo certo! Estamos felizes até hoje e sempre seremos gratos às pessoas que nos ajudaram a realizar esse sonho.

 

TD – Reles com outras bandas, quais foram?

Fábio – Ah… Foram várias! Ira! , Barão Vermelho, Ultraje, Engenheiros, Titãs, RPM, Pato Fu, Arnaldo Antunes, Cachorro Grande…

 

 

TD – Primeiro disco – mudou o que em relação ao último? Como fez pra gravar?

Fábio – Gravar um disco é uma grande dificuldade, ainda mais pra banda de rock no Brasil, sem gravadora, sem nada no começo. Sentava no estúdio e gravava, o que saísse ficava bom (risos). Lançava compacto, depois lançava CD demo, aí saia o primeiro CD. Para você ter uma idéia a gente começou em 89 e só foi lançar o primeiro CD mesmo em 98. Então era muito mais difícil do que hoje em dia. A gente conseguiu fazer, desde que a gente começou a gente não parou mais.

 

TD – A banda já foi rotulada erroneamente?

Fábio – Não dá pra rotular, é uma banda de rock’n roll. Reles é uma banda de rock’n roll, a gente faz rock’n Reles. A gente mesmo se rotulou.

 

TD – Qual é o perfil dos fãs da Reles?

Fábio – A moçada que curte rock, balada, bebida, mulherada, namorar, beijar e dançar. É uma moçada que curte rock.

 

TD – Existe alguma moçada que está curtindo Reles por modinha?

Fábio – Não tenho dúvida que depois que saiu o DVD, principalmente, uma moçada ficou conhecendo a gente. Não é modinha, é porque teve contato mesmo com o som da banda. A primeira vez que ouviu foi na MTV.

 

TD – CD “As histórias são iguais” – Participação do Nasi, como foi? Como se deu o convite? Videoclipe “Nunca mais”.

Fábio – O Nasi é parceiro de rock’n roll. Já o conhecia desde 90. A gente sempre ia ao show do Ira!, eu principalmente adorava, ia em todos os shows deles aqui em Curitiba e região. Viajei para ver o Ira! tocar, era muito fanático assim na época. Ainda sou fã, demais. A gente criou uma amizade legal de estrada, de se conhecer, de eles ouvirem as nossas músicas e quando a gente decidiu que ia gravar uma música inédita deles aí o Nasi pediu pra cantar com a gente. Foi um presente. Além de o Scandurra liberar uma música inédita do Ira!, tem o Nasi cantando no disco, no CD, no DVD. Então foi demais. Coisa de rock’n roll mesmo.

O clipe foi massa também. Um momento que registrou na história do rock aqui em Curitiba, porque ali tem Reles, tem Faichecleres, Dissonantes, uma moçada que ia nos shows da época, uma juventude de 2003 por aí. Então foi registrado isso aí, pra quem ouve curte. Ficou bem legal. 

 

TD – Dá aquele frio na barriga, existe algum ritual antes do show?

Fábio – O ritual a gente está os três juntos ali antes do show trocando idéia, dando risada, se concentrando. O Moon fazendo os alongamentos dele, eu aquecendo um pouco a garganta pra cantar. Eu não tenho muita frescura não (risos).

 

TD – O que nunca pode faltar nos shows?

Fábio – Cesta básica e duas garrafas de champanhe (risos). Não, a gente não leva nada, só a vontade de tocar rock’n roll. É a única coisa.

 

TD – O equipamento pesa muito?

Fábio – Nada pesa mais do que as trezentas toalhas brancas (risos). To engraçadinho hoje, né? A gente só leva o básico da banda, cordas reservas, baquetas reservas e sei lá.

Moon – Equipamento tem que perguntar pro roadie, ele que carrega (risos). Se bem que ele não é fraco (risos). A gente tem a caixa de guitarra, de baixo, de bateria, que geralmente é o que a gente usa.

 

TD – Já aconteceu de alguma vez o equipamento não ter chego, problemas com isso?

Fábio – Isso acontece, por isso que a gente leva sempre o nosso (risos).

Moon – Tem vezes que a gente não pode levar que às vezes dá problema sim, principalmente bateria. Às vezes não levam bateria, tem uns pedaços de bateria pra tocar. Aí tem que se virar. Procuro levar o máximo de coisa que eu possa pra garantir que muitas vezes sempre alguma coisa dá problema. Aí tem que fazer o show, de um jeito ou de outro. A gente dá um jeito, não pára (risos).

 

TD – Qual é a música favorita da banda?

Fábio – Todas são especiais, mas acho que “Capaz de tudo” é a música que a gente mais tocou, desde que a gente fez a música, virou um hino da Reles, tá em todo os shows. “Capaz de tudo”, com certeza. Digamos que é o nosso “Satisfaction” (risos).

 

TD – Existe alguma música que vocês toquem com menos empolgação que as outras?

Fábio – A gente sempre tem a mesma empolgação de tocar, sempre que a gente toca sai de um jeito também, por mais parecido que seja, sempre tem um detalhe ou outro que sai diferente, um improviso, um solo. Até errar em momentos diferentes da música. Até hoje a gente vai tocar e erra a mesma música que a gente sempre toca. Mas faz parte do show, a gente tem que tocar essas músicas. Imagina você ir num show dos Stones e eles não tocarem “Satisfaction”.              

 

TD – Que outra banda vocês gostariam de tocar ou abrir um show?

Fábio – The Who, Stones, Paul Mcartney (risos), não queremos nada né? (risos).

 

TD – Qual é o sonho de consumo da banda?

Fábio – Consumir, consumir (risos). Não morrer que nem o um mendigo.

 

TD – Vocês têm medo de a banda acabar?

Fábio – A gente vive com o fantasma do “será que vou conseguir tocar, levar a banda adiante”, porque é muito difícil você manter uma banda na estrada, manter uma banda ativa. Envolve dedicação tempo e dinheiro, entendeu? Manter uma banda com o equipamento funcionando, todo mundo pagando as suas contas pra poder viver, ainda mais no Brasil, que rock ainda é coisa de bandido, de maluco. Mas a gente por amor a música mesmo, a vontade de tocar junto. Se a gente tá com problema, sobe no palco e acaba o problema na hora. É a hora que a gente ta tocando, que põe pra fora tudo. A gente precisa pra viver, não tem como. A gente precisa mais da música do que qualquer outra coisa.

 

TD – Melhor show? Qual foi? Por quê?

Fábio – O melhor eu não sei. Vários shows na verdade. A gente fez show em boteco que foi marcante, já fez show no Rock in Rio que foi marcante, então não sei dizer um, não consigo me lembrar de um especial. È que nem perguntar a melhor música é perguntar qual é o melhor show. Não dá pra saber.

 

TD – Qual foi a pior coisa que aconteceu em um show?

Fábio – Foi o que eu não consegui tocar nenhuma música porque eu tava muito bêbado (risos), nunca mais aconteceu isso, de eu ficar muito bêbado (risos).

 

TD – Qual e quanto foi o maior cachê?

Fábio – Por quê? Você tá com a grana aí? Você vai pagar? Tá querendo cobrir a oferta? (risos). Eu não sei mesmo qual é o maior cachê. O maior cachê a gente não recebeu ainda (risos), não pagaram ainda.

 

TD – Quais são as maiores dificuldades da banda?

Fábio – Receber um cachê (risos). Esse que é o maior cachê de todos os tempos.

 

TD – Banda em outros lugares do país.

Fábio – Então, a gente foi sempre de cair muito na estrada, fazer show. Aí que está o nosso forte, mostrar a nossa música ao vivo.

 

TD – Qual é a visão de vocês sobre o cenário das bandas curitibanas?

Fábio – Legal! Curitiba sempre foi um celeiro de bandas. Sempre surgiram bandas legais, bandas novas surgindo a cada dia com propostas diferentes, sempre afim de tocar. É bacana, é uma cidade musical pra caramba. Curitiba é massa.

 

TD – Qual é o futuro da Reles, planos, etc.?

Fábio – Dominar o mundo e não morrer como mendigo (risos).

 

TD – Qual é o lema que a banda leva?

Fábio – Qual o nosso lema? (risos). Não tem lema nenhum. A gente nunca levantou bandeira de lema, de nada. A gente só quer tocar rock and roll e divertir as pessoas.

 

TD – Nenhum pensamento?

Fábio – Venha ao show da Reles, divirta-se e dance até se acabar (risos).

 

TD – Uma curiosidade.

Fábio – A única curiosidade é que um é cego e o outro é surdo. Um tocando surdo, outro tocando cego e assim a gente vai. Não, brincadeira. Curiosidade é só de irem ao show e assistirem lá. As nossas músicas para os curiosos já é suficiente.

 

TD – O que aconteceu de mais inusitado num show?

Moon – Teve um show em São Paulo, em a “Fumaça é melhor que o ar”, que subiu um para cantar, de repente começou a subir todo mundo. Tinha mais gente no palco quase que embaixo. A gente não conseguia nem tocar.

Fábio – Tinha mais gente no palco que no público (risos).

Moon – Não, ainda tinha bastante gente no público. Aí virou um inferno.

 

TD – Tocaria num show de novo?

Fábio – A gente queria tocar no Rock in Rio de novo, com o trio, no palco principal (risos) dessa vez. Para poder mostrar que a primeira vez que a gente tocou lá era com outra formação, a gente tava super nervoso, ansioso. Hoje em dia estaríamos muito mais preparados pra um show desses.

 

** Texto de arquivo do Toca Discos. Aguardem as próximas entrevistas!!

Anúncios

~ por eloacruz em 12 setembro, 2008.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: