No Toca Discos: Wandula

Quando se fala em cenário independente, o que passa por sua cabeça? Músicas más produzidas, falta de criatividade, arranjos simplórios? Pois, com certeza, você não deve conhecer a banda curitibana Wandula. Formado por Edith de Camargo (vocal e acordeom), Marcelo Torrone (piano e teclado), Cláudio Pimentel (violão 12 cordas), Rafael Martins (guitarra), JC Branco (bateria), Felipe Ayres (harpa), Denis Nunes (baixo) e, eventualmente, Raphael Buratto (violoncelo), o grupo se destaca não só pelos arranjos atemporais, como também pela a voz aveludada da vocalista, a qual compõe músicas em francês, alemão, inglês e português. As músicas são suaves, harmônicas, fluentes… diferentes. Ainda aguardam classificação. Isso tudo é resultado de intenso trabalho, da mistura inusitada de instrumentos musicais e, é claro, do talento e criatividade dos instrumentistas.  Em entrevista exclusiva, Marcelo Torrone, que também é compositor e orientador musical, fala mais sobre a banda que é sucesso de público e crítica no cenário independente curitibano.

 

TD – Qual a origem da banda? Quando surgiu?

A banda surgiu em 1999, depois de uma viagem que fiz à Europa. Voltei cheio de idéias e convidei um amigo, o Cláudio, para ensaiar minhas músicas. Pra falar a verdade, nunca tive idéia de nada, tudo foi acontecendo. Nunca imaginaria que fossa dar nisso tudo. Depois disso eu encontrei a Edith, e convidei-a para ensaiar com a gente, mas não imaginava que ela cantava tão bem, na verdade minha intenção era um instrumentista a mais que tocasse acordeom. 

 

TD – Como é o processo de composição?

As composições geralmente partem de mim ou da Edith. Anotamos as cifras e levamos pro ensaio, aí cada um se compõe organicamente, cada qual em sua habilidade, e isso é o mais legal do Wandula, existe direção, mas todo mundo acaba compondo. Cada um se vira com sua técnica especial e o que vale mesmo é o improviso e o sentimento. Existe uma procura de fugir do convencional e explorar novas misturas, novos temperos.

 

TD – Quais lugares a banda toca? Só em Curitiba ou em outras cidades?

Em Curitiba fizemos temporada no Wonka e no Jokers, mas gostamos mesmo é de tocar em teatro. Já tocamos no Paiol, Sesc da esquina, Teatro do HSBC, Guairinha, etc. Também tocamos em São Paulo em bares como Funhouse e Milo Garage. Na Suíça tocamos nas cidades de Gallen, Zürich e Gossau. Mas ainda queremos tocar nos Sescs. Também tocamos na Fnac. Geralmente fazemos um ou dois shows ao mês.

 

TD – Há pouquíssimos harpistas em Curitiba, como é ter um deles no grupo de vocês e qual é a importância dele na banda?

É uma sorte danada ter um harpista na banda, e o Felipe veio até nós como fã, primeiramente. Mandou um e-mail dizendo coisas que me fizeram sentir uma afinidade intelectual e assim nos conhecemos e ele já mandou ver nos ensaios. A harpa ainda está em processo de adaptação na banda, pois não é fácil equalizá-la com os timbres de piano e guitarra (são muito parecidos), mas a idéia é compor agora pensando em mais este instrumento.

 

TD – Você teve a idéia de montar a banda na sua volta da Europa, o som tem toques minimalistas, Edith é suíça radicada no Brasil… a influência européia acaba por ai?

Além do minimalismo, que é um elemento mais presente no meu trabalho solo, as influências européias vêem também da Edith, por cantar em várias línguas de lá, e pelo próprio gosto de cada um na banda. E outra coisa que sempre gosto de dizer: Nós curitibanos, sofremos naturalmente a influência européia, pode perguntar para qualquer pessoa de onde seu avô ou avó eram, e vai ser muito raro alguém dizer que eram brasileiros realmente, entende? Portanto, nossas raízes, hábitos e cultura estão diretamente ligados a isso, e por isso acho o Wandula uma banda autenticamente curitibana, mesmo com o fato da Edith ser suíça, até acho que isso fixa mais essa idéia.

 

TD – Qual é o perfil do fã da banda?

Vários. Desde crianças, adultos e senhores(as). No que diz respeito a tribos, predominam pessoas que conhecem bastante música e já se cansaram do convencional. Cineastas, músicos, publicitários, arquitetos e advogados estão sempre entrando nos shows. Mas também pessoas mais alternativas, sejam elas mais urbanas ou ‘’campestres’’.

 

TD – Como você vê a atual situação da musica curitibana? É muito difícil se destacar nesse meio?

Acho que acontece. Todo mundo tem uma banda. Temos vários estilos e gente trabalhando sempre. Só acho que poucas coisas são originais, geralmente quem se sobressai são os gêneros de sempre: rock, reggae, blues, mpb. O problema do músico curitibano é reclamar demais, enquanto deveria estar trabalhando. A música exige dedicação, estudo e trabalho administrativo como qualquer outra área. E o ‘’se destacar’’ acontece naturalmente, não adianta impor. É melhor trabalhar e depois olhar para trás, e avaliar se as conquistas valem a pena para continuar.

 

TD – A banda aposta no cenário independente? É possível viver de música neste cenário?

Não dá pra viver só da banda, é claro. E se isso acontecesse, não seríamos mais independentes. Mas dá pra ganhar um pouco sim, o segredo é: trabalhar com vontade e inteligência. Mas além da banda, todos fazem outras atividades, no meu caso e do da Edith, essas outras atividades são todas ligadas à música como: aulas, trilhas sonoras, participações especiais, projetos, etc.

E digo mais, é possível sim viver de música, sem precisar tocar em barzinho todas as noites, aí entra a formação musical e a postura como músico.

 

TD – Quais são os planos da banda?

Seis meses no palco e seis meses no estúdio. Esse é um objetivo legal.

 

TD – Dá pra traçar um perfil da banda?

Perfil? Bonita e sincera. (risos)

 

* entrevista retirada do arquivo tocadiscos

 

 

 

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~ por mariloki em 23 setembro, 2008.

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