Hey Mr. Tambourine Man

•26 agosto, 2008 • Deixe um comentário

 

Cigarros, xícaras de café e uma máquina de escrever. Isto era o que bastava para fazer com que Bob Dylan passasse várias noites em claro. Atividades que ele exercia mais do que cantar propriamente. Com apenas 10 dólares no bolso e um case com um violão detonado viajou pouco mais de 2000 km para chegar de Mineápolis – Minnesota, onde estava cursando a faculdade e acabou largando, até a grande Nova York.  A cidade estava coberta de neve quando Robert Allen Zimmerman – ou como se denominaria mais para frente, Bob Dylan – pisou nela pela primeira vez em 1961, e isso mudou sua vida, a música mundial e de muitas outras pessoas radicalmente – assim como a minha também.  

 

Quando chegou a Nova York, dizia a quase todos que havia conhecido que tinha vindo de Minnesota em um trem de carga. Bobagem! Era apenas para impressionar e se tornar diferente das pessoas a sua volta, e isto pode ter certeza de que ele era. Mais do que diferente, era inovador. Quando terminou a escola mal via a hora de sair da pequena cidade do interior e partir para o sonho de Nova York, o ninho de cantores e compositores que deliravam a cabeça de qualquer músico de começo de carreira.

 

Se você acha que a idéia de montar uma banda é algo complexo para você, não desamine, Bob sofria do mesmo mal. Toda vez que montava uma banda essa se tornava completa, geralmente um cantor que não tinha a sua, levava a de Bob embora. Não porque este cantor era melhor que o Bob, mas porque eles conseguiam lugares para tocar e consequentemente mais dinheiro, todos eram atraídos por isso. Sempre lamentava com sua avó, sua grande confidente, que o aconselhava não levar para o lado pessoal. Dizia coisas do tipo: “Existem algumas pessoas que você nunca será capaz de conquistar. Deixe para lá – deixe por isso mesmo”.

 

Se Bob soubesse na época o quanto ele faria sucesso talvez não teria dito: “Meu estilo era errático e pesado demais para caber no rádio, e, para mim, as canções eram mais importantes que um simples entretenimento ligeiro”.

 

Os jovens se sentiam confortados e se identificavam com suas músicas, pelo menos boa parte deles. E Dylan não as fazia para que o público gostasse, afinal, ele sabia que nunca poderia agradar a todos, sempre haveria uma porção de pessoas que não concordariam com suas palavras. Sentia isso em seus shows, que na maioria deles sempre havia uma porção que o vaiava por algum motivo. Sempre detestou que chamassem suas canções de músicas de protesto. O apresentador do Festival de Folk Newport, 1963, disse ao apresentar Dylan, “ele sente a pulsação da nossa geração”.

 

Mas, mas, e esse “Bob Dylan”, de onde veio? Dylan nunca usou seu verdadeiro nome. Nas suas primeiras apresentações, se identificava como Elston Gunn. Em casa, o chamavam de Bobby. Uma vez leu alguns poemas de Dylan Thomas e achou que a letra D soaria melhor com o nome. Pensou em usar Bobby, mas achava que soava boboca demais. Então resolveu Bob. Bob Dylan.

 

Ele já pensou várias vezes em parar com tudo. “Para mim já era o suficiente, eu já estava cansado da cena toda. Soubesse disso ou não, estava procurando parar por um tempo. Estava cansado de ser pressionado e martelado, esperavam que respondesse às perguntas. Era suficiente para saturar alguém”. Seria uma tristeza, não?

 

Dylan sentia necessidade de fazer com que as pessoas o escutassem, por isso a necessidade de tocar em qualquer lugar onde havia público, seja de graça ou pagando bem. Essa era sua verdadeira alma. Foi justamente o que ele desejou que aconteceu, hoje, sendo um dos maiores ícones da música “folk-rock”, ou o estilo que bem entendem, conseguiu que todos, ou pelo menos boa parte das pessoas escutasse o que ele tinha para dizer em suas grandes canções. “Não liguem para mim, liguem para as canções. Sou apenas o carteiro que as entrega”.

 

Acho que agora posso te convencer a escutar o sir. Bob Dylan. Não o escute com ouvido de século XXI, mas com ouvidos limpos de década de 60. Faça isso e veja a diferença. Genial!

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No Toca Discos: Cosmonave

•16 agosto, 2008 • 14 Comentários

Perceber as influências pode ser fácil, mas colocar um estilo para eles? Hm, difícil. Rock? Sim, claro que é. Porém, saber de qual rock aqui que estamos falando talvez seja coisa de outro mundo mesmo. E esses garotos, (da esq. para dir.) Ricardo na batera, Matheus Canali na guitarra, Yuri Lemos no baixo e Yan Lemos na guitarra e vocal, não estão muito preocupados com isto. O importante é curtir o som sem rótulos ou pré conceitos. Afinal, tudo é rock’n roll mesmo, especialmente este, que é coisa fina. Apresento para vocês a Cosmonave, uma banda nova curitibana e que faz um som muito bom pela cidade rock. Quem já os ouviu sabe do que eu estou falando. Segue a entrevista.

TD – A banda existe desde o ano passado, e antes disso alguém de vocês já tocavam em alguma outra banda?

Yan – Eu tocava com o Matheus, lá em casa, daí a gente tinha a idéia de montar uma banda. E o Ricardo meio que tava aprendendo a tocar bateria sozinho, na cama dele, numa cadeira..

Ricardo – Bateria imaginária.

Yan – Comprou uma baqueta e foi treinar. Eu passei umas bases pra ele que eu tocava um pouco que bateria. E nisso ele comprou a batera dele. Quando ele comprou a batera dele a gente começou a ensaiar. Daí o Yuri entrou para banda um pouco depois, e a gente não tocava, nunca tocamos. A primeira banda e sempre fazendo música própria.

TD – Eu tava lendo no MySpace de vocês que vocês pretendem, através da música, mostrar a realidade contemporânea do mundo. Qual é essa visão de vocês?

Yan – Depressão é o mal do século. As letras, o que a gente mostra nas nossas letras é um certo desespero, fala de amor, fala da vida, dos amigos, da sociedade. Uma coisa que eu sinto muito no mundo é a depressão. Todo mundo quer se cortar, ou quer chorar.

Yuri – A gente mostra para as pessoas as músicas para elas falarem assim: “Putz, é assim cara”. As pessoas já chegaram e falaram: “Poxa, eu me identifico com as suas letras”. Porque a gente passa uma coisa verdadeira.

TD – Mas alguém já teve depressão ou já fez alguma coisa para poder escrever?

Ricardo – Não. Nós somos pessoas muito felizes (risos). A gente é meio fechado e tal, mas nunca passamos por depressão, ficar mal, trancado. Claro que alguma vez na vida, como sempre tem, mas não de ficar trancado no quarto compondo canções para lançar a minha banda. Não, sempre quando dá na telha eu vou lá e escrevo que eu to sentindo. Sobre alguém que eu conversei ou sobre alguma coisa.

Matheus – Se a gente fica mal a gente vem tomar uma cerveja (risos). E quando ta bem também.

TD – No MySpace de vocês também fala muito em rótulos, na sociedade que rotula muito. E queria saber se vocês falam isso porque já foram rotulados…

Yan – Hmm, não.

Yuri – Eu não me importo. Curtindo o nosso som, podem chamar a gente de “axezeiro”(risos).

TD – Acho que não vão chamar vocês de “axezeiros”. Mas aquela coisa de música alternativa…

Yan – O rock em si já é uma forma de fazer música, dar liberdade de fazer o que você quiser. E o que você quiser é o punk, o alternativo, o hardcore. É rock’n roll, tudo é rock’n roll. Sei lá, nunca rotularam a gente, nunca vieram falar: “Opa, a banda é assim ou assado”.

Matheus – Talvez já tenham falado.

Yuri – Uma vez vieram perguntam: “Mas porra, o que vocês são?”. E a gente fala, é isso aí, não tem que decifrar, só curte.

Yuri – Hoje, o que ta na mídia, o que você vê? Banda enlatada, você sabe que “putz, mais uma banda que toca esse tipo de som, esse tipo de guitarra, esse tipo de letra”. A última coisa nova que apareceu, por incrível que pareça, foi, sei lá, Charlie Brown.

Yan – Charlie Brown, Charlie Brown mudou tudo.

TD – E as influências?

Yan – Faça o seu som. Use aquilo que você gosta para enriquecer o seu trabalho junto com outras coisas. Escuta hardcore, mas escuta jazz, ta ligado.

TD – Mas o que vocês usam para fazer as músicas que vocês? Axé não né…

Yan – Não. A gente diz, escute para poder criticar. Não fica falando, ahh porque isto é uma merda. Vai que você ouve e acha até interessante, às vezes, alguma batida.

TD – Mas pelo jeito vocês têm influências bem diferenciadas…

Yuri – Sim e não. A gente gosta das mesmas coisas e gosta de coisas diferentes.

TD – A gente queria ter uma idéia de onde vem as influências de vocês…

Yan – Nirvana, The Vines, Beatles. É uma cosia diferente, de Caetano Veloso a Led Zeppelin.

TD – E vocês pretendem um dia sair daqui?

Matheus – A gente vai sair daqui, nem que a gente morra em São Paulo…

Yan – A gente não ta apressado, a gente não ta afobado. A gente acha que isso vai acontecer. Enquanto não der o Yuri estuda. Além da banda a gente tem que trabalhar, faculdade. Então é uma coisa que vai, relativamente, crescendo. A gente vai tocar, vai criar nome, e quando a gente tiver a oportunidade a gente vai fazer o possível.

TD – Vocês sempre usam o mesmo setlist nos shows?

Yan – Não. Ontem eu saí do bar porque eu tinha que resolver uns lances e quanto eu voltei já era hora de tocar, e eu subi no palco e na hora que ia começar eu falei: “Qual que é?”. E o Bozo (Ricardo): “Não tem set, cara”. E eu falei: “Como assim?”. Aí ele falou, “ah, vai alucinado fantasma”. E aí a gente começou com uma e o show foi. “E agora a gente vai tocar”, aí eu olhava para alguém da platéia e “fala uma”.

TD – Vocês não acham que estão formando um grupo fechado entre as bandas Cosmonave, Trem Fantasma e Crocodilla?

Yan – Não, a gente quer mais bandas. Venham, venham…

Yuri – Se a gente der certo primeiro a gente quer puxar todo mundo junto, ta ligado. Tem, que ter uma união, ta ligado. Como é que funciona em São Paulo? Isso vem da década de oitenta, cara. Com Titãs, Ultraje a rigor, Capital Inicial, tudo essas bandas. Só tinha uma alternativa cara. E eles trabalhavam juntos. Não fechavam show por menos de tanto, não gravavam por menos de tanto.

Yan – O rock Ascende Curitiba, acho que não deu mais certo, não sei, era um lance legal que já reunia as galeras, com reunião no Porão com o pessoal das bandas, mas não foi para frente.

TD – Vocês fazem cover às vezes?

Yuri – Não, a gente não acredita em cover.

Yan – A gente não acredita em cover.

Yuri – A gente acredita, esporadicamente, em novas bandas.

TD – E nem no ensaio rola?

Yuri – Rola cover de Trem Fantasma, Crocodilla.

Yan – Rola. A gente toca uma versão de John Lennon, por ser John Lennon, e uma música da Mordida. Uma versão também, não é um cover.

Bom, a gente vai ficando com a entrevista por aqui. Quer saber mais? Entra no MySpace dos meninos, http://www.myspace.com/cosmonave e veja que eu estou falando a verdade aqui. Lá também é possível ver a agenda de show deles, para quem quiser conferir ao vivo.

Deixa a chave entrar…

•13 agosto, 2008 • Deixe um comentário

Há tempos que eu tinha vontade de criar um blog só sobre bandas curitibanas. Eu já escrevia (e ainda escrevo) em um blog sobre música, mas nunca tive muita coragem de começar tudo de novo, ainda mais para escrever para um público tão específico. Pois bem, o convite de minhas colegas para escrever aqui no Toca Discos sobre as bandas locais não poderia ter vindo em melhor hora. Acredito que o cenário musical que Curitiba vive atualmente é um daqueles momentos dos quais nós, jovens, vamos sentir muita nostalgia daqui a uns 20 anos.

Mas eu sou uma daquelas pessoas que ainda vivem um pouco no passado. Sabe como é, saudades de um tempo não vivido. E se tem uma banda que todos os fãs da música paranaense têm o dever de conhecer, essa banda é A Chave. 

A banda durou dez anos (de 1969 a 1979), e tinha como parceiro o poeta Paulo Leminski, que colaborava nas letras. Daí já viu, não dá pra sair coisa ruim. A formação contava com o Paulinho Teixeira nas guitarras, Ivo Rodrigues nos vocais, Carlão Gaertner no baixo e Orlando Azevedo na bateria.

O engraçado é que nos shows do Blindagem- banda na qual o Paulinho Teixeira e o Ivo ainda tocam juntos- sempre surge do meio da multidão uns gritos de “toca uma da Chave!”. Normalmente esses pedidos não são de quem tava lá, nos anos 70 pra preseciar um show da banda. São de gente que não tava nem usando fraldas ainda quando o Ivo estava cantando seus “tchutchutchras” .

Bom, pra quem se interessar, eu recomendo procurar o cd que foi descoberto recentemente e que está à venda nas lojas de compra e troca de cd’s no centro da cidade (pelo menos foi onde eu comprei o meu). E deixa a chave entrar!

Obs: O Orlando Azevedo atualmente é fotógrafo. Dos muito, muito bons. Daqueles que os estudantes de Comunicação (como as pessoas que escrevem nesse blog) tanto ouvem falar nas aulas de fotografia.

YEAH ROCK

•12 agosto, 2008 • Deixe um comentário

Até que enfim! Finalmente chegamos ao dia de estréia do tão esperado álbum dos cariocas do Moptop.  Sim, sim, hoje, dia 12 de agosto de 2008. Caaalma, estréia no Myspace, onde ficará as músicas do novo disco durante uma semana. Cheguei em casa o mais rápido possível pois meus ouvidos estavam no aguardo das músicas novas. E meu veredicto: Os meninos cresceram bastante musicalmente, progresso forte, músicas mais elaboradas e singles muito bons, como “Aonde quer chegar” e “Como se comportar” – intitulado o nome do disco. Porém, eu esperava mais músicas de impacto.

 

Claro que a versão de “Adeus”, que eu já conhecia anteriormente ficou fabuloso! Baladinha alucinante, sem falar no arranjo que ficou muito bom. E “2046” então, mixagem power e produção nota dez. Sim, tudo bem. Eu não entendo muito de técnicas musicais, mas ter um bom ouvido e ouvido aguçado já é “grandes coisa”. Não é para qualquer um ter um gosto tão seleto, assim como você caro amigo do TD, são só para raros (sem fazer ligação com a música do Teatro Mágico, por favor). E não se esqueçam, dia 19 estará nas lojas, estou aguardando para comprar o meu.

 

Ah, não esqueçam de limpar os ouvidos e apertar o play… anda!
http://www.myspace.com/moptopyeahrock

 

Rockstars Exposed

•9 agosto, 2008 • 2 Comentários

 

Só você sabe como fica depois de horas pulando em um show né? Mas agora, graças ao fotógrafo suíço Matthias Willi, podemos saber como nossos ídolos ficam depois das apresentações. A idéia é mostrar os músicos como “realmente são”, ou seja, ensopados de suor e nada bonitinhos. Com algumas exceções, é claro. Desde 2005, Willi já fotografou mais de 50 personalidades do mundo do rock. Você pode conferir os resultados na página: http://www.matthiaswilli.ch/.

Pode acreditar. Esse é o Brian Molko (Placebo).

Bom, não gostaria de encontrar o Iggy Pop nessa hora.

                                                                                                                                                                                                                                         
Sem comparações, Matthew Bellamy is always Matthew Bellamy, ok? 
                                                                                                                                                               

Knights Of Cydonia

•30 julho, 2008 • 2 Comentários

 

Ok, resolvi compartilhar minha alegria com vocês, seletos leitores do TC. Amanhã (31) é o dia do grande, magnífico show do Muse em São Paulo no HSBC Brasil. Simplesmente um dos 50 melhores shows da história segundo a revista Classic Rock Magazine.

 

Não conhece Muse? Então está na hora de conhecer e ainda dá tempo. Pra quem não sabe, eles fazem um sucesso danado lá na terra natal deles (Reino Unido). Vou dar um exemplo concreto: sabe aquele estádio Wembley? É, aquele no qual o Queen gravou aquele dvd bem famoso que todo pai de família tem? Então. Esse ano o Muse também gravou um dvd nesse mesmo estádio chamado H.A.A.R.P. Pois é, deu pra perceber o poder do trio né? Na verdade é um trio que vale por muita coisa.

 

Calma, vou explicar. Há boatos de que o vocalista da banda, Matthew Bellamy, tem uma anomalia nas cordas vocais, que são mais curtas que o normal… O que faz com que ele chegue a alcançar G#6!!! Tá, se na teoria você não consegue imaginar, vai ouvir que fica mais fácil de entender. Se isso for verdade, concluo que talvez o Mika tenha essa mesma anomalia, pois alcança 4 oitavas com a voz.

 

Ok, voltando ao Muse, além de Bellamy possuir essa talvez vantajosa característica, ele toca piano e guitarra virtuosamente. E é criativo. Pra acompanhar o pique, Christopher Wolstenholme, o baixista da banda, é tão foda que, no início tocava bateria e depois resolveu que seria o baixista da banda. Simples assim. Oi, não sei tocar baixo, mas vou ser o baixista da banda. Agora, Chris é considerado um baixista exemplar na cena musical, e olha só, até Sir Paul McCartney elogiou sua performance no festival Glastonbury 2004. Ouviu? Sir Paul McCartney!

 

Com isso, a habilidade dos músicos da banda começou a ser vista como qualidade em uma era de aversão a virtuosismo. Dominic Howard, o baterista, tem como influencias bandas como Radiohead, Rage Against The Machine, Pavement, Smashing Pumpkins e acredite, gosta de uma bandinha feminina que achava que só eu conhecia chamada The Like.

 

Pela primeira vez aqui na América do Sul, a banda promete tocar os sucessos que a consagrou como única. Um setlist bem variado, para todos os gostos. Confesso que sinto falta de algumas músicas, mas nada é perfeito né? Mesmo assim estou empolgada para bater palminhas na hora de Starlight e cantar falsetes em Supermassive Black Hole.

 

Aqui está um trecho da entrevista que Christopher Wolstenholme deu ao portal de notícias G1. Acho que ele conseguiu representar com muita clareza a proposta da banda.


O que os fãs podem esperar dos shows no Brasil?

Há muito tempo tínhamos vontade de vir à América do Sul. Finalmente conseguimos vir ao Brasil, e espero que seja a primeira de muitas vezes. Os locais dos shows são menores do que a gente normalmente faz, portanto vai ter de ser uma versão menor do show. Sabemos que as pessoas esperam um grande espetáculo e não vamos decepcionar ninguém, prometo. Vamos fazer um show o mais grandioso que pudermos. E, certamente, será uma apresentação muito intensa, como tem sido toda a turnê.


Vocês surgiram num cenário de forte herança do punk, mas vieram na contramão, com uma proposta baseada no virtuosismo musical. Você atribui o sucesso do Muse a esse virtuosismo?

Nós apenas tentamos tocar nossos instrumentos o melhor possível, e isso não é nada de especial, afinal, é nossa profissão. Não nos consideramos virtuoses, apenas tocamos da forma correta. Não queremos exagerar para um lado nem para o outro. Me irrita ver bandas tocando tudo perfeito demais. Mas, por outro lado, há artistas que se contentam com qualquer porcaria, desde que pareça “cool”. Tentamos buscar um equilíbrio; queremos ser bons músicos, mas também queremos tocar com emoção. Quando a música é perfeita demais me deixa até enjoado.  


Que tipo de música vocês passaram a ouvir?

Música clássica, por exemplo, que exploramos mais recentemente. Mozart, Chopin, Rachmaninoff. A música clássica hoje é uma das nossas principais influências. Queremos atingir um som extremamente pesado, poderoso, sem um monte de guitarras ou de efeitos. Então, buscamos referências da música clássica. 


E as letras? Quais são as principais fontes de inspiração?

Cada álbum foi um processo diferente. Os dois primeiros foram inspirados em experiências pessoais, relacionamentos e coisas assim. Já os dois últimos falam sobre a situação política global, coisas que têm acontecido no mundo nos últimos oito anos. Falamos sobre conspirações e corrupção, sobre como não conseguimos mais confiar em nossos governantes. Também temos letras inspiradas no espaço, em aliens e coisas assim.

 

Como você pretende aproveitar esses dias no Brasil?
Quero concentrar nos shows. Sei que muita gente espera pelo nosso show há muito tempo e já imagino aquela multidão cantando e pulando na minha frente. É só nisso que eu consigo pensar agora.


Vou te dar mais dois outros motivos pra gostar da banda, ok?

Primeiro: Olha, eles são bonitinhos e tocam muito bem.

Segundo: O baixo de hysteria é legal. quem quiser o bassline, é só pedir : )

No Toca Discos: Trem Fantasma

•27 julho, 2008 • 3 Comentários

Muito rock n’ roll e uma pitada, ou melhor, uma colherada de psicodelia. Para quem não acreditava que alguém não fosse mais lembrar de Mutantes, Jimi Hendrix e Led os garotos do Trem Fantasma vieram para mudar essa idéia. Juntos (da esq. para a dir.) o batera Yuri Vasselai, o vocalista e baixista Rayman Juk, o guitarrista e Leonardo Montenegro e nos concederam uma entrevista para o Toca Discos. Sem mais, vou deixar que você mesmo confira como foi “a viagem”.

TD – Como que começou a banda?

Leonardo – A gente tinha uma outra banda que acabou, daí a gente queria fazer uma banda nova. A gente fez uma outra banda, que era os Delirantes, tiramos o guitarrista e acabou virando Trem Fantasma.

TD – Há quanto tempo mais ou menos o Trem Fantasma existe?

Rayman – A gente tem esse nome há quatro meses, cinco meses.

Yuri – Seis.

TD – E quais são as influências de vocês?

Rayman – Bastante psicodelia, anos setenta. Mais Beatles, Stones, Mutantes, Pink Floyd, Led Zeppelin.

Yuri – Jimi Hendrix Experience.

Rayman – Cream, bastante Cream.

TD – Qual a origem do nome da banda?

Rayman – A gente ia se chamar Delirantes e a gente achou o nome muito comum, Delirantes, e a gente tava achando que não tinha muito a ver com o nosso som. Daí, por causa dos Mutantes, eu sugeri Trem Fantasma. Eu achei que eles nem iam gostar, daí eles gostaram bastante e tal e a gente deixou Trem Fantasma.

Leonardo – E o sentido do nome tem bastante a ver. Dá sentido de mobilidade.

TD – O ensaio acontece na casa de quem, em um estúdio?

Leonardo – Lá em casa.

Yuri – Onde tudo pode acontecer (risos).

TD – Vizinho já andou reclamando?

Yuri – Ele já mandou flores para a gente dizendo assim, “toma seus merda”.

TD – Sério?

Yuri – Não (risos).

Rayman – Na verdade já chamaram a polícia uma vez, não na casa dele (do Leonardo), na minha casa.

TD – Como que foi?

Rayman – Se os caras tivessem pedido pra gente parar a gente teria parado. E eram nove horas da noite, não eram nem dez ainda. E o policial chegou e falou: “Olha, o pessoal ta reclamando do barulho alto”. Aí eu cheguei e falei: “Mano, mas não são nem dez horas”. Aí ele falou: “Não tem hora para incomodar os vizinhos”. Aí eu falei “desculpa”. E o cara disse que se tivesse uma outra ocorrência a gente ia ter que pagar uma multa.

Yuri – E a gente percebeu que ele não era do rock.

Rayman – É, não era do rock (risos).

TC – Era do pagode?

Yuri – Não, era da Bossa (risos).

TD – Vocês têm alguma história louca da banda para contar para a gente?

Leonardo – Teve uma vez que a gente quase brigou com uns metaleiros.

Yuri – No EREA.

Leonardo – Foi louca no EREA lá.

Yuri – EREA, EREA quer voar!

Rayman – Os caras são ignorantes, os jovens de hoje são ignorantes, e a gente tava com umas roupas extremamente coloridas, igual no show do Matanza. Aí um cara chegou e falou “esses aí são emos”. Aí o Léo foi lá e falou: “A gente ta tocando num show que você ta pagando, idiota”.

TD – O que vocês acham do cenário do rock curitibano?

Rayman – Cara, eu acho que é ótimo. Tem bandas realmente muito boas. Realmente mesmo. E pena que não é reconhecido. Como a maioria das banda no mundo. A gente imagina que deve existir muitas bandas boas, que a gente não tem acesso, que a gente não tem a oportunidade de conhecer. Só que o cenário daqui é bom, só que os usuários daqui não valorizam, não falam direito e a gente não tem como crescer.

TD – Vocês acreditam na história de que se você não estiver no eixo Rio – São Paulo você não faz sucesso?

Leonardo – Eu acho que não. Um pouco sim, mas eu acho que no Rio – São Paulo tem mais concorrência ainda que aqui.

Rayman – Acho que para o nosso estilo, para o nosso tipo de rock, que tem aqui no cenário de Curitiba não é um tipo de rock que daria certo no eixo Rio – São Paulo. Tanto que Faichecleres foi para lá e nem fizeram tanto sucesso. Eles eram mais famosos quando eles eram daqui, tanto é que o Giovani saiu e tal. O que dá certo lá é o que apostam. E porque lá é onde as coisas acontecem. Não é o contexto de lá, o contexto daqui é mais foda do que o de lá, eu acho. Nunca fui para lá.

Yuri – Eu não sei, acho que não dá para saber. De vez em quando surta uma banda do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, e tal. Mas acho que vai muito do cara que é produtor e faz as bandas crescerem. Um amigo meu que toca numa banda profissional ele conhece essas coisas de produtor e tal. Teve um cara do, o NX Zero, o cara foi lá e pescou o NX Zero sendo que eles eram de um jeito totalmente diferente. Aí o produtor falou: “Olha, vocês têm que ser assim e assim”. E isso é difícil hoje em dia, tipo, não sei falar. Isso mesmo, de repente aparece uns caras que pescam bandas de outro estado e que faz passar para esse eixo Rio – São Paulo.

Rayman – É que geralmente uma banda que faz sucesso é uma banda que é mais fácil de digerir, direta.

TD – E vocês já foram rotulados erroneamente?

Leonardo – Já falaram que a gente toca progressivo.

Yuri – Já chamaram a gente de, não nada a ver, não tinham visto a gente tocar.

Rayman – Emo?

Yuri – É.

Rayman – Sei lá, só porque a gente tem franja. Nem tem muita franja.

Yuri – Não tem jeito, os caras querem rotular tudo. Quando eu tinha cabelo comprido um cara me chamou de grunge psicodélico (risos).

TD – Qual foi o show mais marcante de vocês?

Rayman – Foi no Master Hall, Master Hall não, no aniversário de Curitiba.

Yuri – Acho que foi no Callas.

Leonardo – Qual que foi no Callas?

Yuri – Foi com o Matanza. Eu achei. Os caras do Master Hall nem curtiram tanto, os caras do Callas curtiram pra caralho.

Rayman – Mais marcante da minha vida, que a gente fez, da banda, acho que esse do Callas e o do aniversário de Curitiba, que foi na praça do Atlético. Foi o primeiro show oficialmente como trio.

TD – E o apoio da família, eles incentivam?

Rayman – Meu pai é músico, mais do que profissional. Não sei nem o que dizer. Incentiva mais do que qualquer coisa.

Leonardo – Meu pai que me incentivou a começar.

Yuri – Meus pais me incentivam bastante, se bem que às vezes eles pegam no pé. Hoje a minha mãe me deu uma “chunchada” no pé hoje e eu fiquei meio de cara, aí eu matei ela (risos). Não, brincadeira.

Leonardo – Ela é do rock.

Yuri – Ela é do rock também, mas nem tanto do rock quanto a gente.

Rayman – Eles acham que é um ramo que a gente não vai se dar muito bem.

TD – Vocês não acham que essas bandas que estão começando agora estão se fechando em um grupo?

Rayman – É, acho que sim. A gente não ta se fechando. Isso que é bom nosso, a gente tem bastante divergência.

Leonardo – A gente quer tocar onde a gente encaminhe o nosso show de um jeito legal.

Rayman – A gente não fica pedindo para os nossos amigos para entrar na comunidade, a gente pede para entrar quem curtiu o som. E não falar, “oh, fala para uns dez amigos seus entrar lá”.

TD – Qual é o futuro de vocês, o futuro da banda?

Yuri – Meu futuro é tocar daqui a pouco ali (risos). Daqui uns minutos.

Rayman – O que é o futuro para você?

TD – Ah, shows, lançar disco, cd, etc.

Leonardo – A gente quer gravar um disco, a gente pretende gravar um vinil, é um sonho, assim, e sei lá, basicamente não é ser muito famoso. Só poder viver dignamente.

Yuri – Que as pessoas nos escutem.

TD – Qual é a sensação de vocês tocarem um som melhor do que de muito marmanjo?

Leonardo – Ah, a gente não olha por esse lado de tocar mais foda, existem estilos e estilos.

Rayman – Não tem como você comparar, é que musicalmente tem estilos mais fracos. Óbvio que a gente não é nada.

O que você considera por um estilo mais fraco?

Yuri – Ah cara, deixa eu pensar. Ah, os caras acham que ta fazendo um negócio bom e não é, tipo NX Zero não é um negócio bom (risos). Não é simplesmente porque eu não gosto, entendeu? Eu não gosto e eu acho ruim. Os caras não são bons realmente.

Rayman – São boyband.

Yuri – Eles são uma imagem.

Rayman – Não é uma música melodicamente inteligente, não é, não são letras inteligentes, não é um som bom.

TD – E vocês já renunciaram alguma coisa por causa da banda?

Rayman – Minha prioridade é totalmente minha banda. Qualquer coisa, do que trabalho. Se precisar faltar no trabalho para ir tocar, eu toco. Sei lá. Deixar de ir para a aula já deixei para me inscrever em festival. Minha prioridade total.

TD – Qual é a música do Trem Fantasma que vocês consideram a melhor?

Rayman – “Trem Fantasma Chegou” que é o nosso tema de abertura. A gravação deu 14 minutos.

TD – E a música que vocês tocam, mas nem gostam muito, e que a galera curte?

Rayman – “Sua Otária”. É uma música que todo mundo gosta e sei lá, todo mundo canta, mas a gente não gosta. Não é que a música é ruim mas que a gente enjoa de tocar por todo mundo gostar, entendeu?

Para quem ainda não conhece a psicodelia harmônica do trio do Trem Fantasma pode conferir a agenda dos garotos na comunidade do Orkut. Isso se você for uma pessoa do rock e curtir coisa fina. Em breve eles estarão lançando o My Space também.